segunda-feira, 13 de junho de 2011

De choque em choque - gazeta online

De choque em choque - gazeta online
Éflagrante a incapacidade do governo Casagrande de se antecipar e firmar uma negociação contínua com estudantes sobre transporte coletivo. A sociedade não pode ser convocada somente em 30 de dezembro para aumentar tarifa. É preciso uma agenda da mobilidade que contemple toda a sociedade: "quem e quanto pagar" por tarifas, passes livres, qualidade do serviço.
Desde abril, circulava nas redes sociais: "Vitória vai literalmente parar" (@ Protesto GV): 2 de junho, 6 horas, Palácio Anchieta. Além de "tentativas" de negociação, o que ocorreu em abril e maio? O governo não tem estrutura e pessoal para o diálogo permanente - e não o de ocasião. É discurso sem sustentação prática. Chegou ao ponto de o protesto ter começado sem a sua presença para ouvir a demanda da hora, acertar reunião e buscar liberar uma pista.

Diferenciando-se da esquerda arcaica, o "ativismo virtual", segundo o prof. Marco A. Nogueira: a) atua de forma mais livre e horizontal; b) não tem lideranças claras; c) partidos não comandam; d) há muita festa e determinação, mais do que disciplina militante. São movimentos em movimento que rompem com paradigmas de entidades estudantis do passado. As negociações são mais complexas.

Nas 6 horas de trânsito bloqueado, com Casagrande em Brasília, e o vice, Givaldo Vieira, fora da capital, relatos no Twitter davam conta de que houve ligações para dirigentes de entidades. Nada aconteceu de efetivo, até a chegada do vice. Paralisia. Agendou-se uma reunião para 13 horas. Ao mesmo tempo, o BME deu um ultimato: desocupar em 5 minutos. Do oito para oitocentos. Resultado: confronto violento na rua, e negociação que não chegou ao Palácio.

Não concordo com a obstrução total da mobilidade, nem com vandalismos. Mas é um dilema, no calor do protesto, encontrar o "ponto do doce": incomodar, ganhar repercussão e força e, simultaneamente, respeitar direitos. Não é trivial calibrar transtornos. Estudantes no protesto, e não só eles, investidos de poder, também expressam, em atos, emoções e "instintos primitivos" que suplantam racionalidades.

Os excessos se amplificam quando viram alvo de bombardeios apimentados. Os policiais deveriam estar mais bem capacitados para os momentos de forte tensão da lei e da ordem. As negociações não podem começar com a "tropa de choque" perfilada. O coronel Odorico dizia: "É ilegal, baixa o pau" (CBN, Sucupira, 20.05). Ao contrário, buscar a mediação é essencial.

São altos os riscos de "guerra" nessa ambiência. É inerente a tensão entre a eficácia do protesto - número de participantes e incômodos gerados - e o Estado de Direito. No centro de Vitória, os manifestantes acumularam poder nas seis horas de paralisação total.

Nesse clima de beligerância, o governo optou pelo confronto. Empurrou os movimentos para a Ufes. No final da tarde, a truculência do BME ampliou-os. Em menos de 24 horas, os manifestantes saltaram de dezenas para milhares. É o resultado mais veloz do "crescer é com a gente". Na noite do dia 3, outro choque. O uso da força em um dia veio a ser o prenúncio de fraqueza no outro: o governo se rendeu aos milhares de manifestantes. A polícia observou-os na Ufes e deixou-os ocupar o entorno da Terceira Ponte. Certo?

Ontem, depois dos extremos, outro protesto com interrupção parcial do tráfego e pauta de negociação. É possível a passagem para uma mobilidade sustentável?

Roberto Garcia Simões é professor da Ufes e especiaIista em políticas públicas.
E-mail: robertog@npd.ufes.br

Internet como ferramenta de mobilização | Brasilianas.Org

Internet como ferramenta de mobilização | Brasilianas.Org

Da Folha

Internet é arma política para 71% dos jovens

Pesquisa mostra que rede se firma como ferramenta de mobilização alternativa

DE SÃO PAULO

Descontentes com as instituições políticas tradicionais, os jovens brasileiros consolidaram a internet como instrumento alternativo para mobilização social, mostra pesquisa feita pelo Datafolha em parceira com a agência de publicidade Box.

Para 71% dos entrevistados, é possível fazer política usando a rede sem intermediários, como os partidos.

O dado, segundo especialistas ouvidos pela Folha, revela um esgotamento do modelo tradicional de mobilização e impõe um desafio aos que pretendem assumir a representação dos jovens.

A pesquisa compreendeu uma fase qualitativa, a que se seguiu um painel quantitativo. Neste, foram entrevistados 1.200 jovens com idade entre 18 e 24 anos, em cidades de quatro regiões do país.

"Esse jovem pensa a política de forma menos hierárquica e mostra uma descrença em relações às instituições formais, como partidos ou governo", diz Gabriel Milanez, pesquisador da Box.

O sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que "a juventude se comunica diretamente". "Ela salta instituições. É preciso uma liderança que faça a ponte entre a sociedade e a necessidade de organização institucional", disse à Folha.

Exemplos desse "salto" ficaram frequentes no noticiário dos últimos meses.

No Egito, por exemplo, a imagem da praça Tahrir tomada por manifestantes organizados pela internet tornou-se símbolo da queda do ex-presidente Hosni Mubarak. No Brasil, em proporção ainda reduzida, o poder de mobilização das redes sociais também já aparece.

Por fora dos partidos e das organizações tradicionais da juventude, organizaram-se protestos como as marchas da Maconha e da Liberdade, assim como o Churrascão da Gente Diferenciada, contra moradores de Higienópolis, na capital paulista, que fizeram oposição à construção de uma estação de metrô.

Para o professor de filosofia da USP Vladimir Safatle, são eventos que apontam para um momento de transição.

"A forma partidária chegou a um esgotamento e as demandas vão se expressar de uma nova forma. Há, no entanto, uma questão em aberto, que diz respeito a como a sociedade vai se organizar a partir daí", diz.

Marco Magri, um dos coordenadores da Marcha da Maconha e ativista de outros movimentos organizados pela rede, reconhece a "falência" do que chama de "política institucional". "O descontentamento com esse modelo se reflete no tamanho das mobilizações que anônimos conseguem promover."

"Essa política tradicional está fadada a perder espaço. E a nós caberá o desafio de levar aqueles que se mobilizam na internet às ruas, que é o que provoca algum resultado", avalia.

(DANIELA LIMA)

Greetings, members of NATO. We are Anonymous.

 reprodução do texto do link para pensar:

“Saudações, membros da OTAN. Somos Anonymous”.
5/6/2011, Your Annon News
Em recente publicação, vocês declararam que os Anonymous seríamos “uma ameaça ao governo e ao povo”. Também disseram que o sigilo seria “mal necessário” e que a transparência nem sempre é o caminho certo a seguir.

Os Anonymous gostaríamos de lembrar-lhes que o governo e o povo são, ao contrário de supostos pilares da “democracia”, entidades distintas que frequentemente têm objetivos e desejos divergentes.

É posição de Anonymous que, quando há conflito de interesses entre o governo e o povo, a prioridade deve ser garantida ao povo, não ao governo. A única ameaça que a transparência cria para os governos está em que a transparência impede que os governos ajam de modo que enfureça o povo sem que, por assim agirem, os governos sofram as consequências democráticas da desaprovação popular; sem que o povo possa manifestar-se por vias democráticas contra um ou outro comportamento dos governos.

O próprio relatório que os membros da OTAN distribuíram cita perfeito exemplo disso: o ataque de Anonymous contra HBGary. Pouco nos importa que HBGary estivesse trabalhando a serviço da ‘segurança’ ou para objetivos militares; suas ações e práticas foram ilegais e moralmente repreensíveis. Anonymous não aceita que o governo e/ou os militares tenham qualquer direito acima da lei e que se sirvam da máscara-clichê da “segurança nacional” para justificar atividades secretas e ilegais.

Se o governo não respeita suas próprias regras, que enfrente as consequências democráticas de seus atos, nas urnas. Não aceitamos o atual status quo, quando o governo pode contar uma história ao povo e outra nos contatos privados. A desonestidade e o sigilo minam completamente o conceito de autodeterminação democrática.

Como o povo poderia decidir em quem votar, sem ser corretamente informado sobre as políticas em que os políticos realmente trabalham?

Quando um governo é eleito, diz-se que ele “representa” a nação que governa. Isso significa, essencialmente, que as ações de um governo não são as ações do povo no governo, mas são ações praticadas em nome de cada cidadão de cada país. Uma situação na qual o povo não tenha qualquer ideia, ou quase ideia alguma, do que esteja sendo dito ou feito em seu nome – sempre dito ou feito atrás de portas fechadas – é inaceitável.

Anonymous e WikiLeaks são entidades distintas. WikiLeaks não solicita nem recebe ajuda dos Anonymous. Mas Anonymous e WikiLeaks partilham uma mesma qualidade: não ameaçam nenhuma entidade ou organização – a menos que a entidade ou organização esteja fazendo algo errado e tentando escapar sem ser vista.

Não ameaçamos o modo de vida de ninguém. Não queremos dar ordens a ninguém. Não queremos assustar nação alguma.

Queremos exclusivamente esvaziar o poder de interesses escusos e devolver o poder ao povo – porque, numa democracia, o povo é que deve ser sempre levado em conta, em primeiro lugar.

O governo faz as leis. O poder de fazer as leis não dá a nenhum governo o poder de atropelar a lei. Se o que algum governo faz é feito às escondidas ou é sabidamente ilegal, nada jamais haverá de “embaraçoso” nas revelações de Wikileaks, nem nenhum escândalo advirá de as pessoas saberem exatamente o que HBGary é ou faz. Escândalos que tenham sido descobertos não são resultado da ação de Anonymous ou de Wikileaks: são resultado do CONTEÚDO das revelações. A responsabilidade por aquele conteúdo é integralmente dos políticos que, como todos os corruptos, pessoas ou entidades, acreditam, simploriamente, que estejam acima da lei e que ‘não podem’ ser apanhados.

Grande parte do que disseram empresas e governos tratou de “como faremos para evitar futuros vazamentos”. As soluções consideraram mais segurança, maior controle na liberação de autorizações de acesso a documentos secretos, penas mais duras para ‘vazadores’ e, até, censura à imprensa.

Nossa mensagem é simples: Basta não mentir ao povo, e nunca terão de preocupar-se por suas mentiras serem divulgadas. Não corrompam, não se corrompam e não facilitem a corrupção, e nunca terão de preocupar-se por a corrupção vir à luz. Não ignorem a lei, e nunca terão de preocupar-se com problemas que só perseguem quem ignora a lei.

Quem tenha duas caras, em nada melhora se cobrir uma delas. Melhor solução é ter sempre uma e a mesma cara – e que seja cara honesta, aberta e democrática.

Vocês sabem que não nos temem por sermos alguma ameaça à sociedade. Vocês nos temem porque somos ameaça à hierarquia estabelecida. Anonymous já provou, ao longo dos anos, que nenhuma hierarquia é necessária para que haja grande progresso. O mais provável é que o que vocês mais temem em nós seja a descoberta e a revelação da irrelevância de vocês, num tempo que já superou a necessidade de confiar em vocês. O que realmente os aterroriza não é um coletivo de ativistas, mas o fato de que vocês e tudo que representam, porque a maré mudou e a tecnologia avançou e caiu em mãos democráticas, já não passam de controles inúteis e ineficazes.

Para terminar, não cometam o erro de desafiar os Anonymous.

Não cometam o erro de pensar que podem degolar uma serpente sem cabeça. Se cortarem uma cabeça da Hydra, dez outras cabeças surgirão para substituí-la. Se cortarem um Anon, dez mais se reunirão a nós, em revolta contra seu ato de traição à democracia e de quebra de confiança.

A única forma de derrotar o movimento que nos une é aceitar as nossas regras.
Esse mundo já não pertence a vocês. Pertence a nós – é o nosso mundo, o mundo do povo.

Somos Anonymous. Somos legião. Não perdoamos. Não esquecemos.

Esperem, e verão.
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terça-feira, 19 de abril de 2011

Kit Mobilização | Rede Nacional dos Pontos de Cultura

Kit Mobilização | Rede Nacional dos Pontos de Cultura

A Comissão Nacional dos Pontos de Cultura disponibiliza o nosso Kit Mobilização para as atividades que serão desenvolvidas nos estados nos dias 18 de abril e 25 de maio.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Libro SCL | Espacios prácticos y cultura urbana

Libro SCL | Espacios prácticos y cultura urbana

SCL | Espacios prácticos y cultura urbana

17 x 21 cm
224 páginas, duetono, tapa rústica
ISBN Nº 978-956-14-1083-1
Santiago de Chile, 2009
Texto: castellano

A partir de las visiones de 13 jóvenes autores formados en la sociología, la arquitectura, la antropología, la economía, los estudios culturales y la literatura, este volumen inaugura una conversación sobre la construcción de la ciudad, su cultura y la vida que en ella se despliega.
Trasladando la mirada de los asuntos cuantitativos a los cualitativos y con marcado acento etnográfico, la selección de textos a cargo de Fernando Pérez Oyarzun y Manuel Tironi Rodó reúne aproximaciones no habituales sobre la condición urbana de Santiago y sus fisuras, que antes que manifestaciones de un inminente colapso parecen más bien la expresión de una realidad emergente,
que estamos convocados a desentrañar.
Fotografías de Alexis Díaz entrelazan los articulos y otorgan la visión de un paseante de la ciudad sobre la que se escribe: un retrato visual de Santiago a comienzos del s. XXI.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

BBC News - Ahdaf Soueif: Protesters reclaim the spirit of Egypt

BBC News - Ahdaf Soueif: Protesters reclaim the spirit of Egypt
People are actually articulating: "They said we were divided, extreme, ignorant, fanatic - well here we are: diverse, inclusive, hospitable, generous, sophisticated, creative and witty." Ahdaf Soueif

7iber Dot Com » Can Resistance Be Designed?

7iber Dot Com » Can Resistance Be Designed?
After realizing that Tahrir Square in Cairo was becoming more than just a demonstration space, citizens of the city redefined what public space means to them, and by that changed their country’s history.

Map and Diagram of the Protests in Tahrir Square - Interactive - NYTimes.com

Map and Diagram of the Protests in Tahrir Square - Interactive - NYTimes.com

subrealism: interactive map and diagram of tahrir square protests

subrealism: interactive map and diagram of tahrir square protests
cognitive infiltration
in:
http://subrealism.blogspot.com/2011/02/interactive-map-and-diagram-of-tahrir.html
http://subrealism.blogspot.com/search/label/cognitive%20infiltration

Uma Volta na Lama on Vimeo

Uma Volta na Lama on Vimeo

Uma cidade cresce. Uma rua se modifica.
Documentário realizado na cidade de Vitória, Espírito Santo, Brasil, em 2010.
De Ursula Dart

sábado, 2 de abril de 2011

Seminário: lutas globais e o papel da internet (40)

Seminário: lutas globais e o papel da internet (40)

Seminário: A revolução do compartilhamento: lutas globais e o papel da internet
Data: 05 de abril
Horário: 19h
Local: Auditório do Centro de Artes (Cemuni IV).
Entrada Franca.
...
A expansão do acesso à Internet, o surgimento das mídias sociais – no que se convencionou chamar de Web 2.0 – e a profusão dos dispositivos móveis de comunicação, trouxeram uma nova tônica para o cenário da comunicação mundial. Ao privilegiar a produção e a expressão de conteúdos a partir das bordas, tais tecnologias redefinem de maneira substantiva as condições da comunicação interpessoal e coletiva.

Nesse contexto, pudemos observar no início deste século, eventos nos quais o uso das novas tecnologias de comunicação teve papel fundamental na articulação e na mobilização dos sujeitos, que constituíram movimentos contestatórios potentes. Indivíduos munidos de tecnologias de produção e difusão de informação entram em um processo de intensa colaboração, criando formas de organização inovadoras, aproveitando-se da descentralização propiciada por esse novo regime de comunicação.

Ultimamente, temos acompanhado as lutas por democracia nos países do norte da África e do Oriente Médio, nas quais uma constatação importante é o uso feito pelos indivíduos das mídias sociais e das tecnologias móveis. Assim, é interessante dimensionar o papel da internet nesse cenário e discutir a relevância das novas formas compartilhamento nas lutas emergentes. Todos estes assuntos vão nortear o debate no seminário, com a participação de:

Henrique Antoun (UFRJ)

Ruth Reis (Ufes)

Clara Miranda (Ufes)

Ricardo Néspoli (Jornalista)

Mediação: Fábio Malini (Coletivo Multi/Ufes)

segunda-feira, 21 de março de 2011

La participación social en el urbanismo, en los límites de la realidad

La participación social en el urbanismo, en los límites de la realidad

“Com quantos gigabytes se faz uma jangada, um barco que veleje”: o Ministério da Cultura, na gestão Gilberto Gil, diante do cenário das redes e tecnologias digitais

“Com quantos gigabytes se faz uma jangada, um barco que veleje”: o Ministério da Cultura, na gestão Gilberto Gil, diante do cenário das redes e tecnologias digitais

DISSENSO E (RE)CRIAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO in ZONA DE IMPACTO

alberto lins caldas zona de impacto

"“A escolha desse termo [dissenso] não busca simplesmente valorizar a diferença e o conflito sob suas diversas formas: antagonismo social, conflito de opiniões ou multiplicidade das culturas. O dissenso não é a diferença dos sentimentos ou das maneiras de sentir que a política deveria respeitar. É a divisão do núcleo mesmo do mundo sensível que institui a política e sua racionalidade própria. Minha hipótese é portanto a seguinte: a racionalidade da política é a de um mundo comum instituído, tornado comum, pela própria divisão"(...)
“Assim o dissenso antes de ser oposição entre um governo e as pessoas que o contestam, é um conflito sobre a própria configuração do sensível. Os manifestantes põe na rua um espetáculo e um assunto que não tem aí seu lugar" Ranciere apud Ribeiro VER abaixo

RIBEIRO, Suzana L; S.
DISSENSO E (RE)CRIAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO. NÚCLEO DE ESTUDOS EM HISTÓRIA ORAL - USP

ZONA DE IMPACTO

ZONA DE IMPACTO

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Praça da Amizade, Bairro Floresta, Vitória, ES




Intervenção no Bairro Floresta, situado no município de Vitória. Esta visa conhecer os pontos sujos de lixo para transformá-los em espaços com melhor habitabilidade e reconhecidos como bem-comum pela comunidade. Realizou-se um mutirão de 5 a 20 de janeiro um mutirão contando com voluntários do Cisv, Célula Emau-Ufes, Fórim do Bem, Ateliê de Idéias com apoio logístico e outros da PMV.
A designação Praça da Amizade foi sugestão das crianças da comunidade.

Praça da Amizade, Bairro Floresta, Vitória, ES

Segundo dia de trabalho na foto pessoal do Cisv e comunidade de Floresta

3o dia de trabalho para execução deste platô neste dia pessoal do Cisv, Forum do Bem e Célula trabalhando no Mutirão do Bem: Educação ambiental e transformação de lugares públicos nos bairros de Floresta e Jaburu

A praça vistada por crianças de outras comunidades vizinhas a Floresta, pessoal do Cisv, Fórum do Bem e Célula

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Floresta terraço ou terreiro ou playground 1

Intervenção no espaço reservado para a Praça do Bairro Floresta, no município de Vitória, Es dia 15/01/2011




Floresta bairro do municipio de Vitória, ES, Brasil- 18/01/2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Mutirão do Bem_até dia 20 de janeiro

Ei galera

Bom, queria falar pra vocês que está começando o Mutirão do Bem. Tivemos o primeiro dia de capacitação dos participantes, dos agentes comunitários e dos intercambistas, e foi muito bom, estamos todos muito animados para começar.

Queria escrever pra vocês porque vamos ter duas frentes de atuação durante esse período: a que vai fazer o trabalho de educação ambiental porta-a-porta com a comunidade e a frente das intervenções nos espaços. Passo então os dois cronogramas:

EDUCAÇÃO AMBIENTAL (de 08:00 as 12:00hs)

05 e 06 de janeiro - JABURU
07 de janeiro e 10 de janeiro - FLORESTA
11 de janeiro - CONSOLAÇÃO
12 e 13 de janeiro - ITARARÉ
14 de janeiro - BAIRRO DA PENHA
17 de janeiro - BONFIM*
18 e 19 de janeiro - SÃO BENEDITO

* Em Bonfim, a educação ambiental será feita na parte da tarde, de 13:30 as 17:30hs

INTERVENÇÕES NOS ESPAÇOS (13:30 as 17:30hs)

06, 07 e 08 de janeiro - JABURU (horta comunitária)
13, 14 e 15 de janeiro - FLORESTA (área de lazer e estar pública)
17, 18 e 19 de janeiro - SÃO BENEDITO (humanização da via e espaço de atividades)*

* Em São Benedito, as atividades no dia 17 serão na parte da manhã e os dias ainda podem sofrer alterações

Por favor ajudem a divulgar essas atividades e qualquer dúvida contactem a mim ou o Bruno Bowen.
Qualquer dúvida é só falar

beijos e abraços

Pedro
9224-6332

domingo, 19 de dezembro de 2010

Projeto de Praça no Bairro Floresta- Mutirão do Bem

Após a realização das ações ambientais abaixo descritas, no Bairro Floresta, Vitória, ES, Brasil, está prevista a implantação dessa praça projetada pelos componentes do Célula Emau- Escritório Modelo dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo, o projeto é desenvolvido por meus alunos: Bruno Bowen, Renan Grisoni, Leticia Barcellos e outros com a consultoria dos meus colegas do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Ufes: Paulo Vargas e Karla Caser
Nas ações ambientais no Território do Bem, comunidade, lideranças, técnicos do governo PMV, empresas, organizações não-governamentais: Arte Idéias, profissionais, universidade, nós do Emau e voluntários em geral juntos desejamos e vamos transformar pontos sujos de lixo em espaços melhores, mais saudáveis, mais bonitos, para serem cuidados como bem-comum pela comunidade.
Abaixo, estudos da Praça. Se for executada (e vai ser), os recursos esperados virão da PMV- Prefeitura Municipal de Vitória, Espírito Santo, Brasil.






SEJAM BEM VINDOS PARA ESTA TRANSFORMAÇÃO. POR UM ESPAÇO, UMA RUA, UM BAIRRO... UM MUNDO MELHOR SEJA VOCÊ TAMBÉM UM EDUCADOR AMBIENTAL! Local/Município/UF: Território do Bem / Poligonal 1: Bairros São Bnedito, Jaburu, Floresta, Engenharia, Itararé, Conceição, Bairro da Penha / Vitória - ES Data de Realização do Mutirão: 5 a 20 de janeiro de 2011

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ecos do Bem realiza Mutirão do Bem – Valorizando o lugar em que vivemos


O projeto Ecos do Bem selecionado em setembro/2010, pelo PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - e pela Caixa Econômica Federal por contribuir com os ODM – Objetivos do Milênio -, promove o “Mutirão do Bem – Valorizando o lugar em que vivemos”, que acontece de 05 a 20 de janeiro de 2011.
Essa iniciativa visa enfrentar o problema do lixo no Território do Bem. A idéia é sensibilizar os moradores dos entornos dos pontos sujos de lixo, a partir da realização de campanhas de educação ambiental.
Segundo a coordenadora do Núcleo de Formação e Desenvolvimento Comunitário do Ateliê de Ideias, Denise Biscotto, o Mutirão do Bem irá formar multiplicadores de boas práticas, incluindo a separação e destinação adequada – e na hora certa – dos lixos secos e úmidos.
Os trabalhos de Educação Ambiental terão como pontos de partida, eventos comunitários de mobilização. Serão realizados cinco Cafés Comunitários, sendo que no dia 05/01, será em Jaburu; 07/01, em Floresta; 12/01 em Itararé; 14/01 em Bairro da Penha e 18/01 em São Benedito.
Também farão parte da programação atividades lúdicas e visitas domiciliares – de porta em porta.
A meta é que 60% da população do Território seja alcançada e sensibilizada, direta ou indiretamente, pela mobilização.
O Fórum Comunitário - Fórum Bem Maior - conduzirá os processos de sensibilização e de educação ambiental.
O “Mutirão do Bem – Valorizando o Lugar que Vivemos”, tem como executor a Associação Ateliê de Idéias em parceria com o Fórum Bem Maior, o CISV (entidade internacional com comprovada expertise na gestão de recursos humanos voluntários), o EMAU (Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo) e a Prefeitura Municipal de Vitória.
Somando força entra a parceria do Comitê de Voluntários do Banco do Brasil, da ONG Moradia e Cidadania, entre outros para realizar uma ação mobilizadora, além de uma ampla campanha, com a participação de voluntários qualificados e atores locais.

O Projeto Ecos do Bem
A iniciativa de viabilizar o Ecos do Bem surgiu de uma demanda da própria comunidade a partir do planejamento estratégico participativo do Território do Bem - Plano Bem Maior, em que uma série ações para o desenvolvimento local, foram desenhadas e determinadas. Assim o projeto tem como objetivo geral contribuir para o desenvolvimento local de modo sustentável no Território do Bem/ Poligonal 1, em Vitória, a partir da mobilização comunitária e da realização de campanhas de educação ambiental com foco na separação e destinação eficiente dos lixos (seco e úmido).

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Laboratório de assistência técnica para habitação de interesse social

Compreende-se o termo laboratório no quadro das problemáticas designadas por Bruno Latour[1]: “Dê-me um laboratório e eu levantarei o mundo”. O laboratório é um lugar onde se pode inverter a escala dos fenômenos para lê-los e compreendê-los; um lugar para captar a atenção dos outros e por outro lado observar-los e ao mundo, diversamente em termos topológicos; um lugar para transpor não apenas escalas, mas as relações entre contexto social e contexto da ciência e da tecnologia; um lugar de abordar os interesses por meio de métodos e práticas para realizar objetivos concretos; um local para acompanhar objetos mediante suas transformações (fazer registros históricos, diagnósticos, prognósticos, projetos). O laboratório estabelece o uso de novas linguagens de análise e inscrição (história, ação, gestão) que facilitam o estudo de materiais selecionados, deslocando saberes saturados em direção a novos domínios e novas formas de atuação.
Dado que as práticas do laboratório conduzem constantemente as transposições entre interior (do campo disciplinar, da academia, do escritório) e o mundo afora, se delineia a topologia e a mecânica de trabalho necessária a atuar na realidade vivida. Pois os contextos políticos, econômicos, sociais, culturais têm mudado substancialmente, sobretudo o mundo do trabalho e do saber. Isso requer o estabelecimento de novas pontes entre a arquitetura e o urbanismo a realidade[2].
O laboratório (que desejamos no Emau, para aprendizado e prática de assistência técnica) coloca-se à prova tanto para as estruturas acadêmicas quanto relativamente às estruturas profissionais, se posicionando desde ao ensino técnico, à graduação, mas, sobretudo, ao acolhimento, à reflexão e à avaliação da implantação e da difusão da assistência técnica por parte de profissionais e do seu público-alvo.
A evolução tecnológica — eletrônica, informática, cibernética, telemática, biotecnológica, etc — provoca mudanças de ‘percepção’ que atinge de forma muito diferente as instâncias da reprodução social. Há descompasso entre a evolução tecnológica e o universo cultural.  Além disso, as instituições não tem se mostrado o suficiente capazes  de canalizar as tecnologias e os saberes para conversão destes em bem público. A complexidade e a diversidade do mundo contemporâneo requerem instrumentos mais ágeis, flexíveis e participativos[3].
Hoje o fator essencial da produção é o conhecimento intensivo. Se a intenção é a elevação da produtividade social devem-se abordar os diversos universos tecnológicos, as exigências técnicas de diversos setores de atividades e os diversos impactos sobre a sociedade. A promoção da inteligência social é imprescindível. A importância do conhecimento nos processos de reprodução social coloca o desafio de assegurar a reprodução e a circulação de conhecimento, assim como sua generalização nos diversos setores da sociedade. A questão não é mais o monopólio dos meios de produção, contudo, o controle do conhecimento[4]


[1] LATOUR, Bruno. Dadme un laboratorio y levantaré el Mundo. Publicación original: "Give Me a Laboratory and I will Raise the World", en: K. Knorr-Cetina y M. Mulkay (eds.), Science Observed: Perspectives on the Social Study of Science, Londres: Sage, 1983, pp. 141-170. Versión castellana de Marta I. González García. Organização dos Estados Ibero-Americanos para Educação e Cultura.
[2] ABALOS, Iñaki. Atlas Pintoresco. Vol. 1: El Observatório. Barcelona: Gustavo Gili, 2005
[3] DOWBOR, Ladislau. A reprodução social. Ed Vozes, 2002
[4] Idem. Ibidem.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A articulação entre as atividades de ensino, de extensão e de pesquisa

Texto pensado para editais e como parte do catálogo que fizemos para os moradores de São Benedito
Autores: Clara Miranda, Samira Proeza, Pedro Moreira, Lilian Dazzi, Stephanie Azevedo, Bruno Bowen

Os princípios que fundamentam a articulação entre ensino, extensão e pesquisa convergem com as demandas sociais pela democratização da universidade pública. Tanto no que diz respeito à inclusão de grupos sociais e seus saberes (populares) na concepção e avaliação das propostas, dos projetos e das intervenções para os territórios populares quanto na distribuição de saberes produzidos na universidade e das ações encaminhadas a grupos deles excluídos.
Compreende-se que o papel da universidade é crucial na definição e na resolução coletiva dos problemas sociais diante das polarizações e das contradições configuradas no contexto da globalização. Expressas, por exemplo, através da concentração das decisões, da coordenação e do poder sobre a produção (e conhecimentos) em cidade ou em países centrais em detrimento da propagação da produção rotineira, com impactos sobre os recursos e o ambiente nos países periféricos.
As idéias instituídas a partir do Consenso de Washington da soberania do mercado (MARICATO, 2002, p. 133) podem ser confrontadas com a constatação de que o mercado não é um bom alocador de fatores de produção (DOWBOR, 2002). E já se vive em outro momento desse capitalismo desde a crise de 2008, que requer novas idéias.
A importância do conhecimento nos processos de reprodução social nos coloca desafios que não estamos acostumados a enfrentar: trata-se não só de adquirir o conhecimento mas de assegurar sua reprodução, circulação, generalização nos diversos setores da sociedade. A questão não é mais o monopólio dos meios de produção mas o controle do conhecimento.(DOWBOR, op. cit, p. 102).

 O redirecionamento da universidade confere centralidade às atividades de extensão (SOUSA SANTOS, 2005) que se dirijam ao apoio solidário na resolução dos problemas de exclusão e discriminação sociais. Boaventura Sousa Santos indica a pesquisa-ação e a ecologia dos saberes como instrumentos metodológicos que, no entanto, transcendem a extensão. Pois, sobretudo a pesquisa-ação consiste na definição e execução participativa de comunidades e movimentos sociais, articulando estes interesses sociais aos conhecimentos técnicos e científicos.
A criação de reciprocidades entre a academia e comunidades, e de articulações de cunho cooperativo entre universidade, outras instituições e movimentos organizados podem fazer circular novos processos de construção e de difusão de conhecimentos científicos. Neste caso, a pesquisa e o ensino de graduação e de pós-graduação podem atuar conjuntamente.
A problemática da habitação é parte da formação econômico-social capitalista, no quadro do mercado formal (sujeito as oscilações e humores do mercado) ou informal (expressando resistência ou exclusão social). O modo de produção da habitação extrapola os aspectos do mercado imobiliário, do déficit habitacional e da indústria da construção. Uma vez que,a produção do espaço habitacional se insere na produção do espaço em geral. As relações de produção assim como os meios de produção, não são simplesmente produto da sociedade se localizam no espaço como um todo.
A produção da moradia no contexto da reprodução das relações sociais implica na discussão de sistemas alternativos de direitos à propriedade (ver Valença, 2008, pp. 10-19) que concorre conseguintemente ao repensamento de tipologias habitacionais alternativas. Os sistemas alternativos de propriedade podem viabilizar a superação do endividamento insustentável do usuário e do controle da população no espaço. “Este controle que tem sido legitimado pelos discursos em torno da necessidade ancestral da “casa”” (KAPP; BALTAZAR DOS SANTOS & VELLOSO, 2006).
O papel da pesquisa em nível de graduação e em pós-graduação é fundamental. Kapp; Baltazar dos Santos e Velloso, (2006) alegam que:
 “são inúmeros os vínculos entre reprodução das relações sociais e produção de moradia. A maior parte deles ainda carece de análises realmente contundentes. Assim, embora uma investigação acerca da produção habitacional não seja o mesmo que uma investigação sobre a produção do espaço em geral, ela ainda assim não pode se esquivar da tentativa de compreender de forma abrangente o papel da moradia na sociedade contemporânea. Para isso, terá de ultrapassar delimitações disciplinares, inclusive aquela que tradicionalmente mantém a Arquitetura apartada da Economia.”
Neste sentido, também a atenção que na atuação de extensão se deve ter com a problemática da economia solidária se colocam em diversos aspectos – tal como a praticada pela Associação Ateliê de Idéias.


Referências


DOWBOR, Ladislau. A reprodução social. Ed Vozes, 2002
KAPP, Silke; BALTAZAR DOS SANTOS, Ana Paula; VELLOSO, Rita de Cássia Lucena. Morar de Outras Maneiras: Pontos de Partida para uma Investigação da Produção Habitacional. Topos Revista de Arquitetura e Urbanismo, Belo Horizonte, v. 4, p. 34-42, 2006.
SOUSA SANTOS, Boaventura de (Org.), Produzir Para Viver, Os caminhos de produção capitalista 2ª Edição, 2005 Civilização Brasileira. capítulo 1
VALENÇA, Márcio. Cidade (i)legal. Rio de Janeiro: Mauad X, 2008.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Formulação da agenda do movimento popular de moradia do Território do Bem em Vitória, ES

Clara miranda em parceria com Bruno Bowen, Lilian Braga e Samira Proeza
Palavras chave: Mobilização Popular; Habitação Popular; território do Bem; Vitória

O movimento popular de moradia do Território do Bem articula instrumentos do planejamento estratégico e de fórum. Do primeiro, buscam os mecanismos de participação e de mobilização em torno da concepção do plano e dos seus objetivos; do fórum, os dispositivos da política deliberativa que possibilitam a manifestação da visão de diferentes parcelas da comunidade. Este último confronta a intermitência recorrente entre apatia e mobilização nos movimentos políticos e sociais contemporâneos.
No município de Vitória, o Território do Bem é configurado pelos bairros São Benedito, Gurigica, Consolação, Itararé, Engenharia, Jaburu, Floresta, Bonfim e Penha. Esses bairros ocupam o Morro Grande e possuem 31 mil habitantes, cerca de 10% da população de Vitória. Os assentamentos se constituíram sem financiamento público, sem assistência técnica de arquitetos e de engenheiros e à margem da legislação urbana.
A ocupação do Morro Grande iniciou-se nos anos 1960, realizada inicialmente por migrantes procedentes das áreas rurais de cafeicultura. A imigração se acelera quando se multiplicaram oportunidades de emprego na construção civil, desdobramentos das indústrias metalúrgicas que se instalavam na Grande Vitória.
A crise da estrutura agrária foi simultânea com a conversão de Vitória no agente principal do modelo econômico industrial que se implantava. Novos migrantes vieram do norte do Espírito Santo, do norte de Minas Gerais e do sul da Bahia.
Nos anos 1970, se agravou a situação da moradia precária, ampliando a segregação espacial mediante a distribuição social diferenciada da paisagem. As áreas de morro constituem mais de 70% do território de Vitória, em grande parte oferecem dificuldades a acessibilidade e a apropriação urbana. O morro foi uma das trajetórias possíveis em Vitória para um expressivo número de trabalhadores de baixa qualificação. As pessoas desarticuladas da vida rural desenvolveram formas de vida e atividades subalternas ou alternativas, ocupando áreas da cidade cuja localização era desvalorizada Neste caso, ao menos, não se estabelecia a distância física entre moradia, trabalho e centralidade. A região situa-se entre avenidas importantes do município de Vitória.
30% da população de Vitória encontrava-se em situação de moradia precária em 2003 (PMV), a situação prosperou, mas no Território do Bem, embora 91% das moradias sejam de alvenaria, é significativo o número de edificações precárias e a coabitação entre famílias.
Inicialmente a construção das moradias comprometia ‘todos’ os recursos sem acarretar o endividamento das famílias, atualmente além do programa da prefeitura, o “Projeto Terra”, os moradores contam com uma cooperativa de crédito promovida pela Associação Ateliê de Idéias, uma ONG que agencia a economia solidária local.
Praticamente não há mais mutirões de construção, que eram freqüentes no início da ocupação. O trabalhador da região está submetido como os demais a condições de trabalho, que no atual estágio do capitalismo, conjuga a precariedade do emprego com novas modalidades de sobre trabalho. Resta pouca disposição física para os mutirões. Mas isso não fez esmorecer a mobilização política.
A ocupação informal do bairro gerou problemas para a inserção da infra-estrutura; dificuldades para a construção e a estabilidade das edificações. Isso não impediu que consolidassem moradias e se estabelecessem como comunidade.
Ademais, grande parte do território possui infra-estrutura, equipamentos e serviços urbanos de relativa qualidade. As comunidades reconhecem os avanços neste âmbito. Dizem “Modificou muito, agora tá uma cidade por bem dizer”. Todavia permanece mobilizada atuando em diferentes formas de lutas e organizações comunitárias.
A mobilização da comunidade teve início com a ocupação dos terrenos e a demanda por melhoria de infra-estrutura. No inicio dos anos 1980, as lideranças se articularam com as Comunidades Eclesiais de Base; nos anos 2000 com ONGs; o que culmina com a criação de um fórum popular. O Fórum Bem Maior – FBM abrange o Território do Bem e busca empreender ações coletivas que assegurem maior força de negociação e no debate político.
Este fórum elaborou, em 2009, pesquisa sobre o perfil dos moradores e criou uma agenda das demandas coletivas: melhoria de escolaridade (a maioria não concluiu o 1º grau); articulação de iniciativas de geração de trabalho e renda; incentivo a empreendimentos de responsabilidade socioambiental; divulgação da multiculturalidade e diversidade da população local.
Destaca-se nesta agenda, o objetivo de assegurar a participação do FBM nos espaços políticos como Conselho Popular de Vitória, audiências públicas, orçamentos participativos, entre outros. Ou seja, o FBM agencia um alto nível de organização e participantes com plena sapiência da complexidade política em que estão inseridos.
O “Plano Bem Maior” converte as idéias do planejamento estratégico, antes alheias ao seu lugar, em um bem coletivo. Compreende que as mudanças globais rápidas requerem instrumentos flexíveis e participativos.
O Território do Bem confronta os atributos pejorativos de criminalidade e de fealdade: “Tem gente que fala que morro é ruim, mas quem faz o morro é a gente”. Reivindica a função estatal e técnica para resolver os problemas que defronta. Almeja participar do mercado, exercitar a autonomia e o direito à cidade em sua plenitude.

Referências Bibliográficas
DOWBOR, L., (2002), A reprodução social, Petrópolis, RJ, Vozes.
FBM, (2009), Plano Bem Maior do Território do Bem, Vitória
MARICATO, E., As idéias fora do lugar e o lugar fora das idéias, In ARANTES, O., VEINER, C. & MARICATO, E., (2002), A cidade do pensamento único, Petrópolis, RJ, Vozes,
MIRANDA, C. L., EMAU (org.), (2010), Habitação, Memória e Vivência em São Benedito, Vitória –ES. Vitória, UFES
PMV, (2003), Política Habitacional do Município de Vitória, Secretaria de Habitação, Prefeitura Municipal de Vitória

quarta-feira, 7 de julho de 2010

atualizar

Faz tempo que não passo neste aqui... em breve vou colocar as leituras em dia e a militância neste setor aqui...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

o mundo é redondo...

O mundo é redondo, como uma roda de ciranda, como letras cursivas fazendo frases, textos, poemas, livros sem fim, como a biblioteca de Borges e a minha

terça-feira, 28 de abril de 2009

MAYDAY-2009*: "NÃO PAGAREMOS PELA CRISE DELES!"

MAYDAY-2009*: "NÃO PAGAREMOS PELA CRISE DELES!"
Convocação de primavera


A norma é precarização, trabalho temporário, baixos salários, desemprego.
Arame farpado, uniformes e soldados, que protegem a Europa-fortaleza, excluindo e perseguindo milhares de homens, mulheres e crianças.

Polícias e exércitos estão nas ruas, com suas câmeras e helicópteros.

O controle está por toda parte, leis antiterrorismo são usadas para legitimar a repressão.

A mídia mantém tampado o caldeirão que já começa a ferver e explodir por todos os lados.
Ao mesmo tempo, a mídia faz o que pode para nos convencer a não parar de consumir.
A serpente já está comendo o próprio rabo.

Nossos irmãos e irmãs do sul estão pagando a conta; e nós também pagamos. As espécies de animais que vão sendo extintas indicam o futuro que espera as novas gerações. E, ao mesmo tempo, os bancos jogam pela janela os nossos bilhões...

Vivemos grandes tempos! A crise, a crise, a crise, ouve-se o mesmo refrão por todo o planeta.Que crise?

Os economistas anunciam o fim do neoliberalismo. Depois de anos de NHVA – Não Há Via Alternativa –, agradecemos aos bancos por terem exposto a grande revelação: o dinheiro NÃO É o problema. Tudo é possível. Ou nos escondemos, ou lutamos.

Um novo contrato social, alienação cada vez maior, cada vez mais exploração, cada vez mais precariedade em todos os campos da vida.

Administrar a precariedade não é um desastre.
Viver em precariedade é viver em permanente crise.
A crise DELES só é novidade para ELES.

A crise é uma grande onda: ou você sabe surfar, ou você corre o risco de afogar-se.
Em resumo: nossas lutas acontecem na vida de todos os dias.
Nossas brechas atravessam fronteiras nacionais, contratos sociais e barreiras de gênero.

Nossas batalhas são visíveis. As demandas sociais são evidentes. Ou não?

Falamos à Europa e anunciamos ao mundo: queremos surfar e é nossa vez de surfar a onda.

De 30 de abril a 1º de maio, retomaremos o poder, voltaremos a ter toda nossa criatividade, em nosso ritmo rápido. Nós e todos que queiram vir conosco.

Os bancos estão em toda parte, dominando a vida, mesmo que sejam mortos, não-vivos. O mercado de ações já demonstrou que a queda de uma única carta pode derrubar todo o castelo.

* Para saber mais sobre o movimento MAYDAY-2009, ver: http://www.immigrantsolidarity.org/MayDay2009/
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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Tá rinDo dE Que?


"Mesmo no inferno há ar para respirar"
Bem, eu era criança quando os generais comandavam o país. Se agora com doutorado eu não sei nada, imagine quando eu era criança?!

Pois bem, meus colegas filhos de operários sabiam muito bem. Eles odiavam a ditadura, eu também. Crescer com uma promessa de futuro distante é angustiante, tão distante que ainda não chegou (não por obra deles), e o presente?

No presente (daquele tempo) eram camburões circulando, quem eles vigiavam? nós. era só pra ver se a gente se comportava direitinho, senão. Senão colocavam a gente naquele cartaz dos procurados que de vez em quanto aparecia pregado nos postes.

Quanta gente que foi embora. Não eles não foram fazer turismo, nem migraram por melhores ofertas de emprego, eles foram embora, eles foram mandados para fora. Porque se o Brasil não fosse amado do jeito que os generais achavam que tinha que ser amado (de cabeça baixa, obediente, calado, trabalhando para o país ir pra frente mas sem reclamar) tinha que deixar o país...

Não quero mais analisar, quero ser feliz, Como disse Adorno em Minima Moralia, ele se referia a Auschwitz, "mesmo no inferno há para para respirar".

As botas dos generais não podem corroer toda a experiência da felicidade da infância ou juventude, não pode calar a criatividade dos que faziam, criavam. As coisas eram feitas apesar da ditadura, não por causa dela. E eles eram cultos, liam a melhor literatura, tocavam piano, iam a concertos, Claro, evidentemente os que não eram torturadores, pois estes eu não sei aonde se divertiam,

Não quero nem preciso rever meus conceitos sobre a ditadura, ela foi dura. As consequências não são brandas. Primeiro a evasão de cérebros de várias maneiras, talentos e inteligências desviados para pensar como reverter aquela situação na ação clandestina, outros por terem sido mandados para fora do país, por perderem seus empregos em órgãos fundamentais, sobretudo em universidades, jornais,. Vários projetos gestados na educação mesmo, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro, UNE, projetos coletivos gestados lentamente, todos jogados na lata de lixo da história. Ainda bem que há quem goste de arquivos e faz história com dados qualitativos.

Por que quantidade, fazer formação como se fosse linha de montagem, desde que não pense muito, reproduza simplesmente. Não engenhe, não arquitete, não psicologize, não cuide... apenas leia o livro, e repita,,, claro que nossos professores não faziam assim, tentavam nos fazer ver a cidade, as pessoas e não crer cegamente.´Por isso, mesmo com esta cara de avô legal, não dava pra crer nos generais. O desejo era por um mundo melhor e neste mundo haveria liberdade de imprensa, de movimento sociais, de se reunir livremente, de posição política, de criar e de pensar. Neste mundo haveria pesquisa, verbas para pesquisa, e não reprodução de modelos para trabalhar em multinacionais que evadem, corroem riquezas naturais e históricas, poluem o ambiente e levam embora os lucros.

Há outros prejuízos num momento em que precisaram de apoio, por que perderam o apoio inicial dos conservadores. Pois estes não tiveram estomago para as atrocidades que os generais estavam cometendo, Eles tiveram que comprar alguns apoios, se aliaram com velhas raposas, então um determinado quadro de corruptos e de torneirinhas, ductos, lobbys se formou e nunca mais acabou. Eles moram em apartamentos funcionais nas melhores superquadras ou no lago sul com ponte área pra qualquer lugar. A corrupção não começou ai, mas ai ela configurou quadros que ainda sugam este país: empresas, empreiteiras, familias donas de estados, assim por diante.

Não não e não a ditadura não foi branda e as consequências ainda estão por ai.

Ditadura é ditadura, o fato de alguns eleitos perseguirem pessoas como dizem que o Chaves faz, não abranda a ditadura, o fato de na Argentina e no Chile terem sido mais cruéis do que aqui não abranda a ditadura. Crueldade, perseguição, restrição de liberdade não se compara.

Hoje há liberdade de imprensa, que Deus mantenha!!! Alguns órgãos da imprensa é que precisam rever seus conceitos, estudar análise de discurso e ler "A arte de ter razão", pois eles não tem razão não.


Um exemplo corriqueiro, uma capa de revista sobre o jogador Robinho de certa revista de circulação nacional. Há uma análise da revista Cult que mostra como há manipulação da imagem e do texto que o infantiliza, julga, condena, cito pois concordo com a análise citada. E me incomodam profundamente, os artigos que abordam os assuntos e se refrem as pessoas com humor que achincalha, como se todos amassem o casseta e planeta, como se tudo pudesse ser tratado com este tipo de humor... Muitos destes órgãos tratam as pessoas abordadas em seus artigos ridicularizando-as, desrespeitando-as. A estratégia é de antemão reduzir, desqualificar o adversário, o antagonista, o julgado. No fim é o que se torna o referido ou referente mais que um objeto da notícia um "outro" (do outro lado). O alívio é que ninguém "lê tanta notícia"...

Mas chega de falar disso, como diz Deleuze é melhor ser um varredor do que um juiz,,,

terça-feira, 31 de março de 2009

A metrópole e a revolução

“O meu argumento não é dizer que a revolução já começou. O que tento dizer é que, apesar do fato de a revolução ser tão desacreditada e parecer impossível senão indesejada, à luz da metrópole me parece que é ela o único lugar onde a revolução é possível.” Michael Hardt

terça-feira, 10 de março de 2009

O Estado e a Banheira

Me responde por favor, eu sou burra, eu não leio a PIG, acho Diogo Mainardi irrelevante, leio Miriam Leitão (respeito, parece que ela pensa antes de falar, e não apenas deixa destilar seus ódios), então me responda como seu tivesse 5 anos e não sei mesmo nada de economia.

Se o Estado fosse encolhido a ponto de ser afogado numa banheira, quem ou o que usaria o dinheiro do povo neste momento para salvar os banqueiros?

Ps: PH Amorim inventou a sigla PIG, bem apropriada para uma agenda jornalística que tenta manipular editando fatos, editando dados, editando falas... prefiro contemplar arte, ler literatura ou blogs de esquerda, são reativos contudo destilam menos veneno e me dão a impressão que eu tenho ainda 20 anos...

E amo o Lula (amor antigo, não vejo problema nenhum dele gostar de lençóis egipcios) e gosto do Obama, mas não confio em político nenhum. No entanto, enquanto o Obama for um viralata ele vai merecer o céu do meu coração...

Intuições de quem não sabe de nada de política, se eu tivesse um filho e ele decidisse ser político profissional ele me mataria de vergonha. Mas porque detesto esta política de partidos e púlpitos, corredores escuros, porque hj não se tem mais adversários mas aliados ou não? O que proximidades com Sarney, Calheiros trazem? Para responder isso nem preciso ser inteligente, a "vida" responde, cria o ambiente propício para profileração de agnetes ruins, traz Collor de volta... Há momentos em que os fins não justicam os meios,,, sempre os meios justificam-se por si, se não ganhar a parada pelo menos esteve em boa companhia...

Eu não sou tão burra a ponto de acreditar que o neoliberalismo acabou, mas que seria mais divertido seria...

Obama não é Lula…
Escrito por Imprensa, postado em 27 de fevereiro de 2009
PH Amorim
Saiu no Financial Times sobre o discurso de Obama, o “Estado da União”, no Congresso, cujo tema foi “a América vai sair dessa ainda mais forte!”:
“O discurso foi mais reaganesco do que uma simples manifestação de otimismo. Reagan mudou o paradigma da política americana ao dizer acabou a era do Estado grande”.
Obama também pretende mudar o paradigma, quando diz “chegou o dia do acerto de contas”, e “está na hora de assumir o controle do futuro”.
Acabou a era do neoliberalismo. Se Pinochet (o dos “Chicago Boys”), Thatcher, Reagan e Fernando Henrique - nessa ordem cronológica e de relevância histórica - merecem ser enterrados no mesmo buraco em que afundou o Muro de Berlim - a imagem é de Arianna Huffington - chegou a vez de o Estado intervir para tirar a economia da crise.
Acabou a Era do Estado Pequeno, diria Reagan. Ou, como diria um reaganesco: precisamos tornar o Estado tão pequeno que seja possível afogá-lo numa banheira …
Obama não saiu do trilho desde que chegou. O que ele faz está lá, na campanha. Ele não lançou nenhuma “Carta aos Brasileiros”, para poder ser engolido pelos neoliberais.
Pesquisa do New York Times e da CBS mostra que a popularidade de Obama está em 77%. A pesquisa do Washington Post e da ABC mostra que a popularidade do Obama está em 68% (maior do que a Reagan, neste momento do mandato). Mas, isso, caro amigo navegante, é porque os americanos não leem o PiG (*).
Porque o PiG (*) e seus colonistas (**) adotaram duas atitudes em relação ao Governo Obama: 1) não levam Obama a sério, como a Miriam Leitão, que acha que ele está mais para bloco sujo do que para escola de samba; ou 2) pintam a crise americana com um alarme e um desespero que não se encontra na imprensa americana.
Na tentativa desesperada de derrubar o presidente Lula, o PiG tentou fazer com que o camarote do Presidente Lula na Sapucaí caísse sob o peso da queda das ações do Citibank.
Em tempo: quem foi ovacionado no Sambódromo de São Paulo foram Zé Pedágio e Gilberto Taxab. Como diz o Conversa Afiada: é mais fácil o Vesgo do Pânico ser Presidente da República do que o Zé Pedágio. E se continuar assim, ele não se re-elege governador de São Paulo. Vai ser o editorialista (de todos os assuntos) da Folha (***)
Em tempo 2: Obama mandou rever todos os contratos de empreiteiros americanos no Iraque. É como se o Zé Pedágio - se fosse o que o PiG diz que ele é - revisse o contrato dos empreiteiros que a abriram a cratera do metrô.

(*)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político - o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) colonistas. Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(***)Já estava na hora de a Folha tirar os cães de guarda do armário e confessar que foi “Cão de Guarda” do regime militar. Instigado pelo Azenha - clique aqui para ir ao Viomundo - acabei de ler o excelente livro “Cães de Guarda - jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989″, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial, que trata das relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) com a repressão dos anos militares. Octavio Frias Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O sobrevivente

O Sobrevivente de Carlos Drummond de Andrade
"Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema - uma linha que seja - de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.
Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta muito para atingirmos um nível razoável de cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.
Os homens não melhoram e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema.)"

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O outro lado da crise, querem lucrar com ela

Tal como disseram os estudantes italianos, que esta crise não pagariam. Os trabalhadores brasileiros começam seu movimento. A crise é sempre uma oportunidade de os patrões rebaixarem salários, dobrarem a carga de trabalho dos que ficam empregados que absorvem o trabalho dos demitidos.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Para não dizer que não falei de flores



Talvez perca se desejares minha subisistência

Talvez venda minhas roupas e meu colchão

Talvez trabalhe na pedreira... como carregador... ou varredor

Talvez procure grãos no esterco

Talvez fique nu e famintoMas não me venderei

Ó inimigo do sol

E até a última pulsação de minhas veias

Resistirei

Talvez me despojes da última polegada da minha terra

Talvez aprisiones minha juventude

Talvez me roubes a herança de meus antepassados

Móveis... utensílios e jarras

Talvez queimes meus poemas e meus livros

Talvez atires meu corpo aos cães

Talvez levantes espantos de terror sobre nossa aldeia

Mas não me vendereiÓ inimigo do sol

E até a última pulsação de minhas veias

Resistirei

Talvez apagues todas as luzes de minha noite

Talvez me prives da ternura de minha mãe

Talvez falsifiques minha história

Talvez ponhas máscaras para enganar meus amigos

Talvez levantes muralhas e muralhas ao meu redor

Talvez me crucifiques um dia diante de espetáculos indignos

Mas não me vendereiÓ inimigo do solE até a última pulsação de minhas veias

ResistireiÓ inimigo do sol

O porto transborda de beleza... e de signosBotes e alegrias

Clamores e manifestações

Os cantos patrióticos arrebentam as gargantas

E no horizonte... há velasQue desafiam o vento... a tempestade e franqueiam os obstáculos

É o regresso de Ulisses

Do mar das privações

O regresso do sol... de meu povo exilado

E para seus olhos

Ó inimigo do sol

Juro que não me venderei

E até a última pulsação de minhas veias

Resistirei Resistirei Resistirei


Samih Al-Qassin, in Poesia Palestina de Combate





segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Carta de uma jornalista de Gaza

Assustada, mas a postos, em Gaza
Rami Almeghari, da Faixa de Gaza ocupada, Palestina, 4/1/2009
(em http://electronicintifada.net/v2/article10116.shtml)

Prossegue pelo oitavo dia o incansável bombardeio de Israel na Faixa de Gaza. Pelo Skype, Rami Almeghari, correspondente da Electronic Intifada, conta como segue a vida, no início da noite de domingo, em Gaza.

Minha família é da vila de Karatiya, a poucos quilômetros da Faixa de Gaza, em território hoje ocupado por Israel. Karatiya é uma das 450 cidades da Palestina história que sofreu limpeza étnica das milícias sionistas em 1948. Minha família, como centenas de milhares de outras famílias palestinenses, perdeu tudo.

Moro hoje no campo de refugiados de Maghazi, na Faixa de Gaza, que nesse momento está sob bombardeio dos tanques de Israel, na linha da fronteira, pelos F-16s fabricados nos EUA, pelo ar, e pelo mar. Ontem, o exército de Israel entrou na Faixa de Gaza e há combates na parte norte da Faixa e a leste da cidade de Gaza.

Acabo de ligar o computador, porque agora há eletricidade aqui. Passamos sem luz quase todo o dia. Tento usar o gerador, mas o combustível está no fim. Logo sairei do ar; é terrível, para uma jornalista não ter meios para escrever.

Onde estou não ouço sinal de combates, pelo menos até agora. Os jornalistas não conseguem obter informação, porque é perigoso demais e tudo é proibido.

Há notícias de muitos mortos e feridos no norte da Faixa. A imprensa israelense comunicou a morte de um soldado. Há resistência, mais do que se diz que os israelenses esperavam. O governo do Hamás, afinal, vive sob ataque há já quase dois anos e meio.

Na região leste de Gaza houve combates em Shajaiyeh, a leste da cidade de Gaza. O exército parece ter mesmo dividido a cidade em duas áreas, como testemunhas confirmaram. Os tanques avançaram mais rapidamente hoje, que ontem, e parece que há tantes na colônia israelense de Netzarim, ao sul. Cai a noite e a luta continua. (...)

Uma casa foi destruída no ataque dos aviões em al-Tuffah, perto da cidade de Gaza. Hoje, Israel bombardeou o mercado popular de Firaz, perto do prédio da prefeitura da cidade de Gaza.

Há notícias de que os israelenses estariam usando armas ou munição radioativa. Os médicos e os paramédicos falam de queimaduras, abrasões e fraturas nos feridos e nos mortos que são condizentes com esse tipo de munição cujo uso é expressamente proibido pelas leis e convenções internacionais.

Saí um pouco hoje cedo, para tentar comprar alguma coisa e falar com alguém – o mesmo que todos estão tentando fazer por aqui. As estradas principais estão quase completamente desertas, nem carros nem pessoas. Todos ficam em casa, assustados. Só se sai, mesmo, em caso de emergência.

Meus vizinhos estão calmos. De fato, não há para onde ir nem o que fazer. Mas não vejo sinais de pânico nem de desespero. O que se ouve é que ninguém pensa em fugir ou em abandonar as casas, e que ficaremos onde estamos, mesmo que Israel chegue e destrua tudo. As pessoas que moram aqui são refugiados que perderam suas casas há 60 anos e estão passando por uma experiência que conhecem bem. Sabem que Israel preferiria que eles não existissem, e que espera que todos se mudem espontaneamente para o Egito ou para a Jordânia. Os refugiados sabem disso e já aprenderam que ficar onde estão é um modo de resistir.

Uma das minhas vizinhas disse que mesmo que Gaza seja destruída completamente, há milhões de palestinenses que continuarão a lutar contra a ocupação. Não digo isso para parecer emocional ou sentimental. Ouço isso por toda parte. Todos estão assustados, têm medo de morrer, mas pensam também como grupo, como povo. Parece mentira, mas é verdade.

Muitos tiveram notícias de que há manifestações em todo o mundo. Que se fala mais da Palestina hoje, do que das outras vezes. Todos confiam em que haja luz no fim desse túnel. Ao mesmo tempo, todos falam mal dos políticos e dos governantes que ouvem falar na televisão. Sentem-se ofendidos.

Rami Almeghari colabora para a Electronic Intifada, IMEMC.org, para a Free Speech Radio News
e é professora adjunta de Mídia e Tradução Política na Universidade Islâmica em Gaza.
Foi tradutora-chefe de inglês e editora-chefe do Centro Internacional de Imprensa do Serviço Palestinense de Informações, em Gaza.
Recebe e-mails em rami_almeghari@hotmail.com .

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

GAZA: STOP THE BLOODSHED, TIME FOR PEACE

A FEPAL - Federação Árabe Palestina do Brasil- convida a todas as entidades palestinas no Brasil,ONGs , Organizações sindicais , Movimentos sociais e simpatizantes da Causa Palestina à participar de um evento simultâneo em todo o Brasil , que será marcado por manifestações e o fechamento dos estabelecimentos comerciais da comunidade às 11:00 hs do dia 31 de Dezembro de 2008, como forma de demonstrar toda nossa repulsa e indignação frente ao genocídio perpetrado por Israel contra nossos irmãos na Faixa de Gaza. Contamos desde já com sua solidariedade! Basta de barbárie
Esta mensagem foi enviada por Othman Jamil عثمان جميل.

Abaixo assinado ver em AVAAZ.ORG
http://www.avaaz.org/en/gaza_time_for_peace/?cl=161828480&v=2606

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Gaza no coração

2009 será um ano em que 320 mortos palestinos não passarão e milhões de outros palestinos e também israelenses temerão não ver nas franjas da guerra desproporcional entre tanques e mísseis caseiros.

domingo, 16 de novembro de 2008

As aulas são quase toda minha vida...


"As aulas foram uma parte da minha vida, eu as dei com paixão. Não são de modo algum como as conferências, porque implicam uma longa duração, e um público relativamente constante, às vezes durante vários anos. É como um laboratório de pesquisas: dá-se um curso sobre aquilo que se busca e não sobre o que se sabe. É preciso muito tempo de preparação para obter alguns minutos de inspiração. Fiquei satisfeito em parar quando vi que precisava preparar mais e mais para ter uma inspiração mais dolorosa [...] Um curso é uma espécie de Sprechgesang [canto falado], mais próximo da música que do teatro. Nada se opõe, em princípio, a que um curso seja um pouco até como um concerto de rock."
Deleuze in Conversações