sexta-feira, 29 de maio de 2015

Quatro anos de 15M: é hora de partido?

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Por Guillem Martinez, no El País,  em 15/5/15 | Trad. Silvio Pedrosa
Desde o movimento do 15 de Maio (15M) de 2011, se produziu uma mudança social e cultural inesperada, única na Europa, imprescindível para entender a crise política espanhola. Ao longo destes quatro anos, o 15M evoluiu. Ultimamente parece estar adotando formas políticas. É o passo dos movimentos sociais às instituições. É assim? que resultado este passo está gerando? no que se traduzirá? em uma renovação geral da política? em uma ruptura? em uma mudança significativa? Este artigo cede a palavra a diversos participantes do 15M, aquele movimento sem líderes, que agora protagonizam ou apenas observam o nascimento de partidos e frentes eleitorais que buscam se vincular, de uma forma ou de outra, àquele movimento. Foram propostas duas perguntas. Suas respostas podem esclarecer o estado da questão.
Perguntas:
1. O passo do 15M às instituições é um passo lógico?
2. Que lógica este passo vai impor à política espanhola? renovação? ruptura?
Respostas de Ada Colau (Barcelona, 1974), encabeça a lista eleitoral de Barcelona em Comú. “No 15-M estava na manifestação com meu filho, que só tinha um mês. Nasceu em 15 de abril.”
1. O passo do 15M às instituições é um passo lógico?
É um passo lógico, necessário, ainda que nem tudo se acaba nas eleições. Primeiro tomamos as praças, agora é preciso retomar as instituições, para democratizá-las e colocá-las a serviço do bem comum. Em breve teremos de avançar, dentro e fora das instituições, para exercer a democracia real e a soberania.
2. Que lógica este passo vai impor à política espanhola? renovação? ruptura?
Não vai impor, o processo que se produz já impõe, já estão embutindo uma ruptura, porque, pela primeira vez em décadas, a gente está sendo protagonista, e porque, pela primeira vez, as eleições não têm um resultado previsível.
Respostas de Xavier Domènech Sampere (Sabadell, 1974), historiador da UAB. O seu último livro foi: “Hegemonias, movimentos de resistência e processos políticos” (Akal, 2014). Membro deProcés Constituent. “Na semana do 15 de maio de 2011 me encontrava na manifestação do dia e, pouco depois, na Praça Catalunha em Barcelona.”
1. O passo do 15M às instituições é um passo lógico?
Não falaria diretamente em “passo lógico”, no sentido de causa e consequência, mas sim em fenômenos relacionadas que se inscrevem no mesmo marco: a crise de legitimidade que pode se tornar crise do regime. O 15M demonstrou a agudeza da crise de forma espetacular e lançou as bases para um novo ciclo social, cultural e político de longa duração.
2. Que lógica este passo vai impor à política espanhola? renovação? ruptura?
A manutenção das velhas políticas, apesar do seu descrédito, se assenta na crença que não há alternativa a elas, apenas recombinações. A construção de uma alternativa socioeconômica e política global requer plausibilidade e nisto as experiências locais podem exercer um papel fundamental: criar de forma interconectada novos princípios de plausibilidade.
Respostas de Íñigo Errejón Galván (Madri, 1983), Secretário Político de Podemos. “Na mesma tarde do 15-M acabara de chegar a Madri, após dar aula em Quito. Passei na manifestação esperando, fundamentalmente, apenas outra manifestação qualquer e no 18-M, dia em que a Junta Eleitoral proibiu a concentração na Puerta del Sol, defendi a minha tese de doutorado.”
1. O passo do 15M às instituições é um passo lógico?
Não era um passo necessário e não estava, em absoluto, escrito que tinha que acontecer. Por um lado, alguns conteúdos, reivindicações e ‘estilos’ do 15M já haviam chegado às instituições. Uma parte do poder constituído e seus atores aprenderam que deveriam incorporar algo das razões do 15M para renovar a sua legitimidade. Por outro lado, em uma situação de crise de regime, mas não de crise do estado, nenhum protesto nem construção de contrapoder “por fora” das instituições basta para fazer precipitar a mudança política. Por isso nasceram iniciativas de ocupação de posições no interior do estado.
2. Que lógica este passo vai impor à política espanhola? renovação? ruptura?
As duas coisas. A tensão entre ruptura e renovação ampliada da ordem não se resolve ética ou esteticamente. Não é uma questão de preferências pessoais ou ideológicas. Será o resultado de um equilíbrio de forças entre a capacidade dos setores dirigentes para conter, dispersar e integrar; e dos que trabalham pela mudança para agrupar, seduzir e articular uma vontade popular nova que levante um projeto de país que coloque no centro suas maiorias sociais.
Respostas de Marina Garcés (Barcelona, 1973) é filósofa e professora da Universidade de Zaragoza. Seu último livro: Um mundo común (Bellaterra, 2013), promove o coletivo de pensamento Espai em Blanc. “Passei o 15-M entre a praça do Pilar e a praça da Catalunha. O 27 de junho (quando tentaram desalojar a acampada de Barcelona) gritei, desde a Puerta del Sol: “Se Barcelona não tem medo, Madri também não tem”.
1. O passo do 15M às instituições é um passo lógico?
Não considero que o que estamos vivendo seja um passo do 15M às instituições. Respondem a lógicas e a sentidos de politização distintos. O 15M questionou a representação e a delegação políticas e abriu a possibilidade de politizar todas as frentes e dimensões da vida. O desafio eleitoral atual é, mais precisamente, de uma mudança necessária dentro do sistema de partidos e que aceita seus limites e condições.
2. Que lógica este passo vai impor à política espanhola? renovação? ruptura?
Mas que renovação ou ruptura, interrupção: as novas plataformas eleitorais são uma ferramenta necessária, hoje, para interromper a lógica destrutiva do capitalismo e de seus partidos políticos. A partir de agora, é a tarefa de nos apropriarmos de nossas vidas e transformá-las. Essa é a tarefa que o 15M lançou nas ruas e aos lugares comuns de trabalho e de vida e que desde estes lugares deve seguir nos interpelando.
Respostas de  José Manuel López Rodrigo (Madri, 1966) é engenheiro agrônomo. Está na direção de ONGs (Cáritas, Fundação Tomillo). É diretor-geral da fundação pública Pluralismo e Convivência (Ministério da Justiça). Encabeça a candidatura do Podemos à comunidade de Madri. “No 15-M estava em Madri. Participando em algumas das concentrações.”
1. O passo do 15M às instituições é um passo lógico?
A cidadania saiu às praças mostrando uma indignação que não era homogênea; era política, econômica, social, cultural, educacional… a esfera pública a ignorou e sua única resposta foi que a política deveria ser feita através dos partidos. O ciclo d mobilizações se traduziu em iniciativas locais e no surgimento do Podemos. Aqui se produziu um diagnóstico da crise certeiro e socialmente acertado. Passar agora ao ciclo de propostas é o lógico.
2. Que lógica este passo vai impor à política espanhola? renovação? ruptura?
Trata-se de passar de uma posição reativa – “destituinte” –para defender a saúde, a educação, o emprego, a uma posição proativa – “constituinte” – para melhorar a saúde, a educação e o emprego. Não se trata de renovação ou ruptura; a ideia central é fazer as instituições olharem para a maioria social, governar para a maioria. Fazer entrar ar fresco.
Respostas de Emmanuel Rodríguez (Madri, 1974) é editor e ensaísta. Seu último livro é; “Por que fracassou a democracia na Espanha?” (Traficante de Sueños, 2015). “Estava na manifestação no 15-M. Posteriormente, me engajei ativamente na Acampada da Puerta del Sol”.
1. O passo do 15M às instituições é um passo lógico?
A necessidade de ter um impacto significativo naquilo que tradicionalmente se chama o “poder” é um requisito de qualquer movimento de reforma ou mudança. A questão reside, apesar disso, na forma desse “passo institucional”: tomar as instituições pela via eleitoral e pelas políticas progressistas? pressão sobre as instituições a fim de transformá-las (democratizá-las) em um sentido constituinte? posições eleitorais que se pensam como contrapoderes políticos conectados organicamente com as mobilizações sociais?
2. Que lógica este passo vai impor à política espanhola? renovação? ruptura?
A balança da mudança política se move, hoje, entre processo constituinte (democracia, fim da austeridade), que se articulou como demanda comum no 15-M, e regeneração democrática, concebida como rearranjo das elites, controle da corrupção e nova meritocracia. Os processos locais (autônomos e municipais), por muita que seja sua autonomia, não deixa de estar travados na mesma disjuntiva.
Respostas de Raimundo Viejo Viñas (Vigo, 1969) professor universitário e editor independente. Membro do Podemos e candidato na lista Barcelona em Comú. “No 15-M estive nas praças, primeiro na Puerta del Sol, por acaso, com Pablo Iglesias e Íñigo Errejón, e depois na Catalunha.”
1. O passo do 15M às instituições é um passo lógico?
Mais que um passo, vejo como uma interferência lógica: o regime atual não é o regime que o 15M deseja. A total falta de diálogo por parte do establishment forçou o passo na direção da arena institucional do regime. Foi o autoritarismo do regime que impôs o salto eleitoral. O desenvolvimento da política do movimento passa por não deixar de lado a máquina legislativa, como se os efeitos das políticas públicas não tivessem nada a ver conosco. Mas, para isso, falta empoderamento, outras organizações, outras práticas. Não valem os partidos, mas tampouco o velho ativismo. Entramos numa fase de mutação intensiva e democratizante das formas de fazer política.
2. Que lógica este passo vai impor à política espanhola? renovação? ruptura?
Uma tensão entre ambas. Os incentivos para a acomodação estão presentes, ainda que não como nos anos 1980. Diferentemente daquela época, o austerícidio não dá muita margem para tal. A entrada nas instituições do regime marca já (apenas momentaneamente) uma mutação: jubilação das elites (começando por Juan Carlos I), promoção de novas marcas (Ciudadanos¹), imitação de soluções procedentes do movimento (códigos éticos, mandatos limitados, etc.) Nas instituições estas mudanças serão mais difíceis, pois não dependerão da vontade popular. Teremos que aprender a lutar nesse terreno tão difícil. A chave está em não deixar de ter sempre um pé fora dele.
Respostas por  Guillermo Zapata (Madri, 1979) é roteirista e membro da lista Ahora Madrid. “No 15-M estive na manifestação e logo estava morando na acampada do Sol”.
1. O passo do 15M às instituições é um passo lógico?
Não há um passo lógico. O que ocorreu foi um processo de experimentação que se chocou com uma institucionalidade incapacitada para a escuta. Produziu-se, então, um bloqueio e o problema concreto é como abrir novamente a situação. O problema é que o lugar da instituição é o lugar onde as coisas podem abrir-se totalmente ou fechar-se totalmente. É um risco, mas também era um risco cercar o Congresso e nesse dia poderíamos ter inaugurado um cenário distinto, de fechamento, mas foi justamente aquele passo que abriu a situação. Então, não há lógica, mas tem sentido entrar, aqui e agora, neste assunto. Mas também há que reconhecer que o 15-M é muito mais que este momento concreto ou estas ferramentas concretas.
2. Que lógica este passo vai impor à política espanhola? renovação? ruptura?
Apostar na ruptura é apostar, creio eu, na vida possível. O questão é que estamos no “entremeio”, no qual romper tem que ser uma prática e não tanto um plano que já tenhamos traçado. Romper é fazer vivível o que é invivível, e por isso temos que ser muito ousados e muito prudentes ao mesmo tempo: ousados para fazer transbordar o marco daquilo que se apresenta como a única forma de vida possível e prudentes para que esse transbordamento possa ser vivido pelas maiorias, para cuidá-las. Uma posição talvez mais lenta, mas também mais desafiadora de construir aquilo que faz possível a vida desde todos os pontos nos quais a vida se realiza.

Nota:
1. Partido mais à direita no espectro político-ideológico tradicional, surgido na esteira do movimento 15M como uma espécie de Podemos descafeinado (N. do T/E.).

terça-feira, 26 de maio de 2015

5 notas iniciais para pensar o que (nos) está passando.

5 notas iniciais para pensar o que (nos) está passando.

1.- Nunca antes partir de um não saber teve tanta materialidade, tanta força e tanto sentido.
2.- Agora madrid é um processo anormal que não resiste interpretações parciais porque todas levam alguma verdade e à vez não explicam. Se há uma potência em isso é essa condição de anomalia, que devemos mimar.
3.- Enfrentamos a entrada em uma instituição vertical e concebida para triturar paixões alegres. A tensão se mede entre gestão de o que há e inovação política.
4.- A alegria e o desejo só podem ser articulada mais rápido e com mais potência por fora do município e temos que pôr os meios para que assim seja.
5.- Manuela carmena é hacker.

Continuaremos a informar.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

DIREITO DE RESPOSTA À VEJA PELA DIFAMAÇÃO DO PODEMOS NO BRASIL (1)

DIREITO DE RESPOSTA À VEJA PELA DIFAMAÇÃO DO PODEMOS NO BRASIL (1) via facebook

O Círculo de Podemos Rio de Janeiro vem manifestar indignação à nota publicada em 9/5/2015 pela Revista Veja, assinada pelo colunista Rodrigo Constantino, aludindo a uma outra reportagem, no dia anterior, 8/5/2015, por Duda Texeira, na seção Mundo da mesma revista, contra a qual manifestamos do mesmo modo o nosso sentimento.

Nos textos, o Podemos é acusado de estar associado ao tráfico internacional, num esquema que envolveria Bolívia, Venezuela e membros notórios de Podemos. A única fonte citada para a grave acusação é o testemunho do coronel do exército boliviano Germán Carmona (e não "general", como erroneamente consta na Veja), que servia num hospital militar na região de Santa Cruz, atualmente solicitando refúgio na Espanha. Segundo o documento "ultrassecreto" citado pela Veja, Carmona denuncia que o Podemos tem "o objetivo de financiar uma nova organização política com a finalidade de, uma vez que conquistem o governo, seja constituída uma porta direta de entrada da cocaína na Europa."

Nenhuma evidência é apresentada. Nenhuma outra testemunha corrobora a história. Apesar disso, três jornais de grande circulação na Espanha, o El Mundo (2), o La Vanguardia (3) e o La Gaceta (4) elevam a história à condição de manchete, em direta repercussão da acusação feita pelo militar boliviano. Somente o último, no interior da matéria, comenta que nenhuma informação foi comprovada. Por que tamanho interesse em repercutir o solitário depoimento do coronel desertor lançando essa nuvem de acusações e suspeitas sobre um partido recém criado?

O que talvez nem todos saibam é que a Espanha vive um dos mais importantes processos eleitorais de sua história. Neste mês, acontecem eleições em nível municipal e das regiões autônomas, em que pela primeira vez o bipartidarismo tradicional no país, desde 1978, dá mostras de ser quebrado. No segundo semestre, haverá as eleições gerais, que definem a composição do próximo governo nacional. O Podemos é um dos partidos que, inspirado pelo movimento do 15 de Maio de 2011, se apresenta na disputa com chances reais de vencer, defendendo o protagonismo cidadão e o reposicionamento do estado na economia, hoje controlada pela casta e suas medidas de austeridade. Não só pelas propostas de enfrentar a crise econômica com um resgate cidadão, como também pela ascensão nas pesquisas de intenção de voto, o Podemos passou a se tornar uma pedra no sapato da "classe política" tradicional do país.

Nesse contexto, o Podemos tem sido alvo de uma campanha de difamação sistemática manejada pela grande mídia corporativa, que parece ter chegado ao Brasil. A atual presidenta da comunidade de Madri, Esperanza Aguirre, associou o Podemos em várias ocasiões a grupos terroristas, declarações difamatórias pelo que ela terá de responder ante a justiça espanhola (5). O custo para efetivar essa demanda judicial, de € 10.043, foi ultrapassado pelo Podemos em menos de três horas de campanha de crowdfunding por meio de seu site oficial (6), segundo uma plataforma transparente de financiamento pela cidadania.

A conexão Podemos-Bolívia, na verdade, não tem nada que ver com tráfico internacional. De fato, além das acampadas e novos movimentos do 15-M, o Podemos assume como referências as experiências bem sucedidas de governos da América do Sul, em seu combate à pobreza e ao neoliberalismo. Na década passada, membros de Podemos atuaram como pesquisadores e consultores junto dessas experiências que, sem negar as suas complexidades e limitações, trazem ensinamentos importantes sobre inclusão social e empoderamento cidadão ao mundo todo. Por muito tempo na Europa vinha prevalecendo uma visão de que não havia nada a aprender com a experiência de nações em desenvolvimento. O Podemos se propõe a corrigir essas lentes eurocêntricas da política.

O jogo sujo da velha política está agonizando na Espanha assim como no Brasil. A reportagem da Veja e o texto de seu colunista são o grito desesperado de uma ordem ameaçada em seus privilégios e vigarices. O Podemos estaria querendo converter a Espanha num portal de entrada para a cocaína plantada na América Latina? E por acaso hoje a Espanha não é um portal de entrada da cocaína? O atual presidente da Espanha já foi fotografado no barco Moropa, conhecido por pertencer a um dos maiores clã do contrabando da Espanha (7), e o atual presidente da Junta de Galicia, Alberto Nuñez Feijoo, foi fotografado num iate de férias com o contrabandista Marcial Dorado (8).

As conexões entre a política atual e o tráfico internacional não são nenhuma novidade. Nisso, temos que reconhecer a pertinência das palavras de Rodrigo Constantino: "A política é apenas um meio, um instrumento que criminosos usam para chegar ao poder e, com isso, gozar de maior margem de manobra para seus atos criminosos." Por isso, estranha a seletividade da indignação do colunista. Em 23 de março de 2015, na mesma Veja, ele justifica a sonegação fiscal e evasão de grandes quantias realizadas em contas do HSBC na Suíça (9), porque seria "justo" burlar a lei para "proteger" o próprio dinheiro. O que Rodrigo não conta na matéria é que o mesmo HSBC, banco sediado em Londres, usa o dinheiro dessas contas em operações de lavagem e financiamento de grupos terroristas na Arábia Saudita e cartéis de drogas no México. E esta informação não deriva apenas de uma única e conveniente fonte e seus sensacionalistas "documentos ultrassecretos", mas de uma sólida investigação internacional (10).

Mas além disso, não queremos nos render à farsa que reduz o problema mundial das drogas ao tráfico, como se a "guerra às drogas" não fosse ela própria um dos motores da lucratividade do negócio, gerador de mais violência e incentivador do comércio de armas. Baseados numa cidade conflagrada como o Rio de Janeiro, com tantas operações em comunidades e tantas vítimas, preferimos não nos nivelar a um noticiário sensacionalista como o da Veja, que se recusa a aprofundar o urgente debate sobre essa questão, em que tantas vidas se perdem.

A reportagem da Veja se insere numa longa tradição que associa partidos de esquerda ao crime organizado. A ideologia encobriria o interesse criminoso. Pergunta-se: a seletividade em denunciar o Podemos sem nenhuma base e ao mesmo tempo proteger o dinheiro remetido ilegalmente à Suíça não revela uma ideologia? Não é ideologia ignorar a complexidade de um debate para apresentar denúncias infundadas com o único propósito de desqualificar uma força política? Até aqui nada de novo. Novo é apenas o alvo do business de difamação, o Podemos, diante do fato que ele realmente ameaça as elites de sempre.

Nós, do Círculo de Podemos Rio de Janeiro, queremos entrar no debate de uma maneira mais inteligente e democrática, convidando a todos a participar, discutir e fazer uma outra política diferente dessa que a Veja representa.

Contato: podemosrj@gmail.com

Referências:

(1)http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/militar-boliviano-diz-que-podemos-seria-braco-do-trafico-venezuelano
(2)http://www.elmundo.es/internacional/2015/04/21/55366e42ca474143778b456d.html
(3)http://www.lavanguardia.com/politica/20150421/54430763371/coronel-boliviano-viaja-a-espana-para-pedir-asilo-politico.html
(4)http://www.gaceta.es/noticias/militar-boliviano-acusa-marioneta-chavismo-narcotrafico-10052015-1822
(5)http://podemos.info/admitida-a-tramite-la-querella-de-podemos-contra-esperanza-aguirre/
(6)http://www.elconfidencial.com/espana/2014-07-09/podemos-lanza-una-campana-de-crowdfunding-para-financiar-la-demanda-contra-aguirre_159220/
(7)http://www.infoguadiato.com/index.php?page=22&ampliar=3356
(8)http://ccaa.elpais.com/ccaa/2013/04/03/galicia/1365012667_497777.htm
(9)http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/corrupcao/swissleaks-separando-o-joio-do-trigo-ou-nem-todos-que-abriram-contas-na-suica-sao-ladroes/
(10)http://www.nytimes.com/2012/12/12/opinion/hsbc-too-big-to-indict.html?_r=1
http://www.forbes.com/sites/nathanvardi/2012/12/12/forget-the-drug-dealers-and-iran-hsbc-is-having-a-great-year/

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Holloway: “superar capital explorando fissuras”

Holloway: “superar capital explorando fissuras”

ler no link



Autor de “Mudar o mundo sem tomar o poder” lança novo livro e
sustenta: “novas lógicas sociais multiplicam-se; desafio é
articulá-las” 



Por Adriana Delorenzo, na Revista Fórum


Romper com o mundo como ele é e criar um diferente. Esse é o
objetivo de muitos militantes e ativistas. Mas como fazer para construir
uma realidade em que não haja Gaza nem Guantánamo nem poucos
bilionários e 1 bilhão de pessoas morrendo de fome? O cientista político
irlandês, radicado no México, John Holloway traz esse desafio em seu
novo livro Fissurar o capitalismo (Editora Publisher Brasil).
São 33 teses que explicam como criar rupturas no sistema para não
continuar a reproduzi-lo. Do idoso que cultiva hortas verticais em sua
sacada como forma de revolta contra o concreto e a poluição que o cerca.
Do funcionário público que usa seu tempo livre para ajudar doentes com
aids. Da professora que dedica sua vida contra a globalização
capitalista. São diversos exemplos trazidos pelo autor, de pessoas
comuns que recusam a lógica do dinheiro para dar forma a suas vidas. No
entanto, após a rejeição, é preciso tentar fazer algo diferente. É aí
que surge o problema. “As fissuras são sempre perguntas, não respostas.”



Professor da Universidade Autonôma de Puebla, o trabalho de
Holloway tem influência do zapatismo, movimento que há quase 20 anos vem
tentando construir esse outro fazer. No México, essas fissuras têm sido
criadas, sem que se espere por uma revolução futura. Como trazido em
seu primeiro livro traduzido no Brasil, Mudar o mundo sem tomar o poder,
Holloway acredita que pensar em revolução hoje é multiplicar essas
fissuras. “Uma revolução centrada no Estado é um processo altamente
autoantagonista, uma fissura que se expande e se engessa ao mesmo
tempo”, diz o autor na obra recém-lançada. Nesta entrevista à Fórum,
Holloway fala sobre os novos movimentos que vêm tomando as ruas em
diversos países do mundo, inclusive no Brasil.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Bibliografias das oficinas realizadas na Casa Rui Barbosa agosto 2014

Oficina para amanhã, dia 21, quinta-feira, às 18 horas, na Casa Rui, com o tema "A Multidão em Formação – Commonwealth”, oferecida pelo Pedro Mendes.
Apesar da convocação em cima da hora, os textos de referência são:
1) Johnson, Steven. Emergence. The connected lives of aints, brains, cities and softwares.
2) Cocco, Giuseppe. Korpobraz.

3) Hardt, Michael & Negri, Antonio. Commonwealth. Part 6 - Revolution.
Viveiros de Castro. Filiação Intensiva e Aliança Demoníaca.

 
No dia 27 de agosto, quarta-feira, às 18 horas, teremos o Bruno Cava continuando a leitura do Anti-Édipo, desta vez a Parte 2, “Máquinas Desejantes, Máquinas Leninistas”, capítulos 3 e 4.
 
Em 10 de setembro, quarta-feira, às 18 horas, a Oficina será oferecida pela Barbara Szaniecki, com tema “Outros Monstros Possíveis”, título do livro dela que será lançado nesse dia.
 
Em 24 de setembro, quarta-feira, às 18 horas, contaremos com a Raluca Soreanu, com o tema Facialidades e a Nova Estética do ProtestoOs textos de referência são:
1) Félix Guattari. 2011. Signifying Faciality, Diagrammatic Faciality. In The Machinic Unconscious: Essays in Schizoanalysis. Los Angeles: Semiotext(e), pp. 75-106 (translated by Taylor Adkins).
2) Félix Guattari. 2009. Everybody Wants to Be a Fascist. In Chaosophy: Texts and Interviews 1972-1977. Los Angeles: Semiotext(e), pp. 154-175.
3) Félix Guattari. 1992. Caosmose. Um novo paradigma estético. São Paulo, Editora 34 (tradução Ana Lúcia Oliveira e Lúcia Cláudia Leão).
4) Gilles Deleuze e Félix Guattari. 1996. Ano zero – rostidade. In Mil platôs. Capitalismo e esquizofrenia, vol. 3. Rio de Janeiro: Editora 34, pp. 31 -62 (tradução de Ana Lúcia de Oliveira e Lúcia Cláudia Leão)

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Destruir a universidade por VLADIMIR SAFATLE

"VLADIMIR SAFATLE
Destruir a universidade via facebook/ FSP
A Universidade de São Paulo está em greve desde o fim de maio. Se lembrarmos que no final do ano passado ela também estava em greve, chegaremos a duas longas greves em menos de um ano. Ou seja, vivemos em situação constante de crise.
Além de formar 92 mil alunos, a USP representa 25% de toda a pesquisa produzida pelo Brasil. Como sabemos que não há desenvolvimento sem criatividade e tecnologia, não haverá futuro para o Brasil sem passar pela discussão aprofundada sobre qual o destino de sua principal universidade e centro de pesquisa. No entanto, em pleno ano eleitoral, a última coisa da qual os candidatos a governo do Estado falam é sobre a crise das universidades paulistas.
A USP passa por uma situação bastante conhecida de todo brasileiro: uma instituição administrada de forma opaca que, no momento de modernizar-se, luta com todas suas forças para preservar seus arcaísmos. Agora, há um embate a respeito da natureza deste arcaísmo. Nosso reitor tem usado seu tempo para ir a imprensa e falar de regimes de trabalho arcaicos, profissionais acomodados, máquinas administrativas inchadas, entre outros. Para o cidadão, fica a parecer que a universidade tem atualmente um deficit de R$ 1 bilhão porque ela sustenta uma classe de funcionários semi-ociosa e atrasada.
No entanto, talvez seja mais correto afirmar que estamos em franco declínio porque somos administrados por pessoas que não se responsabilizam pelos seus próprios fracassos. Nossa atual reitoria fez parte da antiga reitoria, a mesma que deixou como legado a conhecida catástrofe orçamentária. Mas, em meio a um processo de construções de prédios sem recursos, abertura de escritórios de representação em Cingapura, Boston, Londres e gasto irresponsável do dinheiro público com projetos agora abandonados, tudo o que nossa burocracia universitária responde atualmente é: "Eu não sabia". Ou seja, ninguém sabia, ninguém viu. Pobre dinheiro público, administrado de tal forma.
Em qualquer lugar do mundo, isso levaria a sociedade a se perguntar sobre se nossa administração universitária é, de fato, adequada para os desafios que o Brasil se deu, se não seria o caso de repensar radicalmente a maneira com que nossas universidades são administradas, modernizá-las ouvindo sua comunidade e reformar nossas instituições. Ou seja, a sociedade poderia conhecer os modelos de administração universitária em outras partes do mundo e se perguntar porque o nosso não é adotado por praticamente ninguém. Mas aqui, por enquanto, só temos silêncio, cortes de pontos de funcionários e um governo do Estado que produziu a crise (pois impôs o reitor responsável por ela) e se finge de morto."
FSP

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Declaração de Idelber Avelar à Sininho:

Por motivos de necessidade, digamos, ativista, tenho consumido nos últimos dias alguns produtos das Organizações Globo: Fantástico, Jornal Nacional, Jornal da Globo, o jornal de papel. O que estas organizações estão fazendo -- no caso das rádios e das TVs, utilizando uma concessão pública -- contra os ativistas cariocas e, em especial, contra Sininho, é de tal cretinice, vileza e falta de vergonha que em um sistema político no qual essa expressão, "concessão pública", significasse qualquer coisa, elas já teriam, pelo menos, sido chamadas a dar explicações.
Vejo o rosto bonito de Sininho. Tão jovem, poderia ser minha filha. Vasculhada, espionada, perseguida, encarcerada arbitrariamente e, mesmo assim, não conseguem encontrar um mísero indício de que ela tenha cometido qualquer ato que vagamente se assemelhe a um crime. Recortam o verbo "bombar" no meio de uma gravação, fingindo que "bombar" é sinônimo de "bombardear", coisa que qualquer falante de português residente no Brasil sabe que é mentira. "Sininho torceu contra a Seleção" -- sim, o Jornal da Globo chegou a esse ponto. "Sininho teria levado quentinhas para os indígenas". Sininho isso, Sininho aquilo. E nada, nada que demonstre que ela fez qualquer coisa além do que eu e tantos outros fazemos todos os dias: ativismo político.
Governistas que passam o dia reclamando da mídia utilizam-se das manipulações dessa mesma mídia para criminalizar Sininho, chegando ao cúmulo de compará-la a, pasmem!, Sheherazade (http://naofo.de/nk9), recorrendo para isso, com estonteante má fé, a capas OPOSTAS da Revista Veja como se essas capas fossem sinônimas.
Elisa Quadros, Sininho, sua linda, eu não a conheço, mas não posso deixar de dizer: o que poderosas organizações de imprensa, Ministério Público, governos, polícia e partidos políticos estão fazendo com você me dá tanto nojo e tanta sensação de impotência que só me resta mesmo lhe mandar este recado, com a esperança de que você o receba um dia. Conte comigo para o que eu puder fazer. Espero, um dia, poder fazer algo mais que isto.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Haddad vai desapropriar 41 prédios para habitação popular

Dez prédios na região central, quatro deles ocupados hoje por sem-teto, estão sendo comprados ou já pertencem ao governo municipal; a Ocupação Mauá, na Luz, e a Ocupação Prestes Mais, na mesma região, vão virar moradia definitiva para os sem-teto; outros dois prédios tombados pelo patrimônio histórico, o Hotel Lorde, na região de Santa Cecília, e o Hotel Cambridge, na Bela Vista, serão revitalizados e transformados em conjuntos populares; prefeitura estima gastar R$ 220 milhões em desapropriações
O prefeito Fernando Haddad (PT) avalia que reformar os prédios ocupados no centro de São Paulo e transformá-los em moradias populares é uma forma de revitalizar a região. Dez prédios na região central, quatro deles ocupados hoje por sem-teto, estão sendo comprados ou já pertencem ao governo municipal. "Queremos adquirir 41 prédios, muitos estão ocupados de forma organizada há muito tempo. Agora, ocupação com menos de um ano não vai ficar", afirma José Floriano, secretário municipal de Habitação.
Ao falar das manifestações promovidas por sem-teto na cidade, ele diz que o governo atual considera legítimos os protestos e a forma de organização dos movimentos de moradia. "Há movimentos muito organizados, que realmente conseguem fazer um papel social importante ao acolher pessoas de baixa renda sem casa para morar. E tem movimentos que surgiram só agora, que querem credenciamento para construir casas do Minha Casa Minha Vida", diz Floriano.
A Ocupação Mauá, na Luz, e a Ocupação Prestes Mais, na mesma região, vão virar moradia definitiva para os sem-teto. Outros dois prédios tombados pelo patrimônio histórico, o Hotel Lorde, na região de Santa Cecília, e o Hotel Cambridge, na Bela Vista, serão revitalizados e transformados em conjuntos populares.
Para viabilizar a moradia no centro com financiamento de R$ 72 mil do Minha Casa Minha Vida, o governo municipal vai fazer um aporte de R$ 20 mil por imóvel, valor igual ao que será depositado pelo governo estadual. Além disso, entram os custos de revitalização de cada prédio. Para 2014, a Prefeitura estima gastar R$ 220 milhões em desapropriações – no ano passado, os gastos para comprar áreas particulares do governo foram de R$ 80 milhões.
Públicado no site http://www.brasil247​.com/

THE IMPOSSIBILITY OF GROWTH

http://acasadevidro.com/2014/05/30/a-impossibilidade-do-crescimento-por-george-monbiot/
http://www.monbiot.com/2014/05/27/the-impossibility-of-growth/
ler nos links
THE IMPOSSIBILITY OF GROWTHGeorges Monbiot / The Guardian UK/ Tradução: Arlandson Matheus Oliveira

Sobre o EDITORIAL de A Gazeta em 8/06/2014

via https://www.facebook.com/franciscocelso.calmon

O EDITORIAL de A Gazeta é um primor de panfleto mentiroso ao pregar a inconstitucionalidade do decreto-lei 8.243, que estabelece A Política Nacional de Participação Social. A AG vem no rastro do Globo, FSP, Estadão, etc. 

Em seu preâmbulo, a Carta de 1988 define a instituição de um Estado democrático "destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos [...]." Dentre os princípios que alicerçam o Estado brasileiro destacam-se a cidadania e a dignidade da pessoa humana conforme previsto no artigo 1º, incisos II e III.

artigo 1º, parágrafo único, expressa o princípio da soberania popular pelo qual "todo o poder emana do povo" que o exerce através de seus representantes ou "diretamente", na forma estabelecida pela Constituição. Este princípio é a simbiose das concepções de democracia direta e democracia representativa, de modo a que seus efeitos sejam em proveito da coletividade, meta do Estado e da Administração Pública.

O grande jurista Dalmo Dallari se refere a esta questão da seguinte forma: "a participação popular significa a satisfação da necessidade do cidadão como indivíduo, ou como grupo, organização, ou associação, de atuar pela via legislativa, administrativa ou judicial no amparo do interesse público - que se traduz nas aspirações de todos os segmentos sociais."

Estão previstos no artigo 14 da Constituição Federal, o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular, também como direitos políticos.
Art. 14 – A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I - Plebiscito
II - Referendo
III - Iniciativa Popular.
• Estes direitos foram regulamentados após dez anos da promulgação da Constituição de 88, com a publicação da Lei no 9.709 de 18 de novembro de 1998.
• Em 1990, a Lei Federal no. 8.142, que dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde .
• A Lei Federal no 8.069, de 13 de julho de 1990 - ECA.

Há duas grandes formas de participação popular : a participação direta, como a iniciativa popular legislativa, o referendo, o plebiscito; e a indireta como a participação por meio de ouvidor e através de Conselhos. Partindo desta base pode-se sintetizar: PODER LEGISLATIVO: a consulta prévia, as audiências públicas, iniciativa popular, plebiscito ou referendo; PODER EXECUTIVO: conselhos de gestão, direito de petição, ouvidor; PODER JUDICIÁRIO: ação popular, representação ao Ministério Público e ação civil pública.

Sendo o significado de democracia o governo do povo, pelo povo e para o povo, sem a garantia de participação da população não existe democracia real. Sem a sociedade organizada participando das questões estatais, há sempre o risco para que o autoritarismo ressurja e ocorram retrocessos nos direitos democráticos conquistados.
As instituições republicanas mantêm a democracia, mas o que garante, espraia, aprofunda, consolida e a torna irreversível é o protagonismo da sociedade civil organizada.

MAS A MÍDIA QUE APOIOU O GOLPE E A DITADURA É A MESMA QUE APLAUDIU DITADORES QUE PENSAVAM E SE EXPRESSAVAM ASSIM:
1964 - “O Brasil estava salvo do comunismo! Os crioulos não invadiriam mais as casas das pessoas de bem!”
“As empregadinhas voltariam a ficar de cabeça baixa!”
General Humberto de Alencar Castelo Branco
1985 - Jornalista: Se o Sr. Ganhasse um salário mínimo, o que faria?
João Figueiredo: Dava um tiro na cabeça!

(...) EMBORA AINDA FALTE MUITO, É ESTA PARTICIPAÇÃO POPULAR QUE IRÁ CONTRIBUIR PARA AVANÇAR MAIS RÁPIDO NA EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS DIGNOS.