sábado, 7 de janeiro de 2023

Como destruir o rentismo que nos aniquila Por Trevor Jackson

Como destruir o rentismo que nos aniquila 

em outras palavras Por Trevor Jackson

Livro disseca atual estágio do capitalismo: os que controlam a economia se entopem de lucros sem nada produzir. Como sua especulação voraz leva a sociedade à beira da autodestruição. Quais os quatro caminhos para enfrentá-los. 

O livro citado é Rentier Capitalism (publicado pela primeira vez no final de 2020), escrito pelo economista político e geógrafo econômico Brett Christophers oferece uma interpretação unificadora de como o rentismo funciona, fornecendo uma análise sintética da economia britânica contemporânea como estudo de caso.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Não temos o direito de ir à praia diz Priscila Pedrosa Prisco

link

NA semana passada, a redação do Justificando recebeu a mestranda na Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ Priscila Pedrosa Prisco. A ativista do círculo de cidadania criticou a política de violência do Estado carioca, a comoção seletiva da classe média, entre outros temas ligados ao momento.
Priscila chamou atenção, em primeiro lugar, ao alarde que se tem feito sobre os arrastões. Explicou que os atos infracionais já acontecem há anos, sempre no verão, e para combatê-los são colocadas as polícias nas praias. As novidades, no entanto, são duas: a primeira se refere à antecipação da operação verão nesse ano pelo prefeito Eduardo Paes, enquanto a segunda surgiu da decisão do juiz em acolher o Habeas Corpus impetrado pela Defensoria Pública. A lei, o básico, tem sido interpretada, pelo senso comum, pela imprensa, como um fator impeditivo da polícia trabalhar. Como se a polícia só pudesse trabalhar dessa forma, criticou.
Para a pesquisadora, a adoção da violência policial como política pública acaba por estigmatizar e criminalizar determinados grupos - negros, periféricos, e pobres -, gerando ainda mais violência no cotidiano. Desde que nascem, as crianças das favelas são submetidas à violência. Passam a vida inteira sendo humilhadas, tomando tapas na cara, vendo suas mães apanharem, os amigos morrerem, são torturadas. E você acha que isso não vai ter nenhum reflexo em sua formação como pessoa?, perguntou Priscila.

Espiral de violência

Prisco afirma que todas essas violências, somadas à política policial de barrar e levar para inquérito jovens a caminho dos bairros da zona sul, são nada mais que segregações, políticas de prevenção puramente genéticas, muito próximas das políticas nazistas, absolutamente desconectadas dos efeitos que podem causar no cotidiano. É uma espiral de violência, explica.
"É muito comum você ver os cariocas da zona sul, a classe média se queixando - ah, mas aí nós não temos direito de ir à praia, nós não temos liberdade de ir. Eu creio que não, não temos liberdade de ir e vir, não temos liberdade de ir à praia ali feliz e contente, enquanto uma guerra se instaura na nossa cidade sem que nós, que vivemos na bolha, na zona sul, no cercadinho, não tomemos consciência da situação que acontece nas áreas mais pobres da cidade" - afirmou.
Para ela, essa ausência do "direito de ir à praia" decorre diretamente da falta de importância e relevância que é dada à cotidiana violência sofrida moradores das favelas e outras comunidades menos favorecidas economicamente. Não é possível que uma política pública imponha um nível de violência desse tipo, como impõe nas favelas, nas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), um nível de violência policial altíssimo, sem que isso vá repercutir nos grupos privilegiados.
"Então quanto mais se pedir o Estado, a violência de Estado, quanto mais se pedir a morte das pessoas na zona norte, nas favelas, mais a gente vai ficar preso. Não é possível você viver numa cidade segregada dessa forma e achar que você não tem nenhuma responsabilidade e que isso nunca vai repercutir na sua vida de rei, né, de príncipe" - finalizou.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ivana Bentes domingo Rio de Janeiro setembro de 2015


Estranhos no Paraíso! Beirou o insuportável o clima de conflito e agressão à juventude negra nas praias do Rio neste domingo de sol. Começa nos ônibus com policiais dentro, revistando, buscando, afrontando, reprimindo. Os meninos reagem, são pura potência e energia, não aceitam mais o racismo da polícia e de alguns moradores e comerciantes da Zona Sul.
Se tem roubos pontuais, a maior parte das olas juvenis são um fenômeno coletivo das galeras que se juntam, se autoprotegem e "tocam o terror" com uma violência simbólica (e também de fato) que responde a uma violência real, continuada, programática!
A policia mata nas favelas, achaca e prende preferencialmente os meninos negros. Os garotos na Vieira Souto se impõem em grupos, zoam, cantam alto, assustam com sua sociabilidade de tribos juvenis. Clima de tensão, stress, correria em Ipanema. Grupos entrando amedrontados nos restaurantes porque um policial atira pra cima para dispersar os garotos negros que andam juntos.
Um bunker de carros de polícia e carros de reportagens das principais TVs concentrados no Arpoador esperam a próxima correria. Um circo midiático em torno de um moleque negro perseguido na areia. Oito jovens negros dentro de camburões! Mães, namoradas, irmãs, amigos explicando a policias que "ele não é ladrão", mais as operações são pela cor da pele, alguns meninos são levados no bolo, ou por que reagem a truculência e suspeição contra pobres!
Em todos os pontos de ônibus policiais aos montes olhando para cada menino, mulher, criança negra como suspeitos! Moradores e porteiros dos prédios chiques nas portarias comentando a violência, e alertando seus iguais (os brancos) que passam pra tomar cuidado!
Os garotos e os grupos nos pontos de ônibus estão revoltados: "se me tocarem, se jogarem gás de pimenta dentro do ônibus, vamos dar porrada!". "Não adianta prender, a Dilma vai mandar soltar", diz uma homem branco pronto para um linchamento na rua! Racismo, rejeição, ódio de classe, entre os grupos. Querem expulsar a juventude negra do paraíso!
"Somos todos iguais na praia", nunca fomos! Só que agora tem uma garotada que não aceita, não vai aceitar o apartheid "cordial" das areias cariocas!
Podem chamar de arrastão ou do que for, podem criminalizar, pode colocar no Jornal Nacional e no Fantástico, enquanto não tiver um arrastão pra mudar essa mentalidade racista os meninos vão responder com o que tem: seus corpos e sua potência!
P.S 1. O que está por trás desse clima de apocalipse que culpabiliza e criminaliza os jovens negros é também uma reação para reverter a decisão do juiz Pedro Henriques Alves, do Rio, de acabar com prisões por suspeição dos jovens nos ônibus: "A iniciativa surgiu após dezenas de jovens terem sido apreendidos nos últimos meses a caminho das praias da Zona Sul, sem que estivessem praticando atos infracionais." http://www.tjrj.jus.br/.../home/-/noticias/visualizar/22921
P.S 2 Moradores de Copacabana cercam e agridem ônibus com jovens que voltam da praia:
— "Abre a porta, abre a porta, motorista! Só tem ladrão. Vamos dar porrada. Fotografa eles, só tem ladrão — dizia um deles, enquanto espancava um adolescente, chutado várias vezes. "

Anarcomiguxos III Lula e Friedman

















"Aaaiin, o governo Lula mudou a cara do Brasilll!"
Fez reforma política? Não.
Fez reforma tributária? Não.
Fez reforma agrária? Não.
Fez reformas urbanas? Não, pelo contrário, deixou as empreiteiras fazerem a festa.
Fez reformas neoliberais? Sim! E continua até hoje com sua sucessora.
Mudou a cara do Brasil em que sentido?
Fez o Bolsa Família e o Prouni?
Porra, isso é coisa do Friedman.
Ele que dizia "o Estado até pode dar subsídios à educação, mas o dinheiro que cada família recebe para colocar o filho na escola deve ir para o ensino privado, o Estado não deve manter escolas publicas."
Prouni é isso aí.
E Bolsa Família funciona como o imposto negativo, outra ideia do Friedman.
Até o mimimises . org elogia o Bolsa Família! Se isso é a "social democracia" do Lula como diz o Emir Sader, nem quero imaginar quando essa porra virar liberal mesmo.
Afinal, que porra de mudança o governo do PT fez neste país?

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

É a Globo que dá ao Brasil uma nota de mau pagador por J. Carlos de Assis*

É a Globo que dá ao Brasil uma nota de mau pagador
São os jornalistas da Globo, como Bonner, que dizem que a nota é um 'atestado de mau pagador'. Isso é mentira e esconde inúmeros interesses.
J. Carlos de Assis*
Entre todas as patifarias ideológicas vomitadas pela Velha Mídia, sobretudo pela TV Globo, relativamente às decisões das chamadas agências de risco, a mais sórdida é a que define a nota emitida por elas como um atestado de bom ou mau pagador. Ora, como se pode dar atestado de mau pagador antes que se saiba que a empresa ou país pagaram suas obrigações? Seria um atestado de não pagamento futuro? Se é assim, é melhor para o país que não pague agora; assim, ficará com algum dinheiro em caixa para eventualidades!
É claro que isso tudo é um absoluto nonsense. Não há a mais remota possibilidade de o Brasil suspender o pagamento de suas dívidas em função do que dizem as agências de risco. Temos reservas internacionais de quase 400 bilhões de dólares. É verdade que, sobretudo por erros acumulados na política cambial do passado, e sobretudo por causa da estúpida taxa de juros, temos também muitas dívidas externas de curto prazo. Contudo, o balanço nos é ainda favorável. E não precisamos, para isso, de nota de bom pagador de agências de risco.
O fato extraordinário de que não é a agência, em si, que usa essa terminologia – ela libera apenas uma nota -, mas a forma como a TV Globo, por sua conta e risco, “explica” a nota. São os jornalistas da Globo, como Bonner, que dizem que a nota é um “atestado de mau pagador”. Como consequência, caindo a nota, perdemos o status de bom pagador mesmo que nada nos tenha sido cobrado e a economia funcione como antes.
A embromação não para aí. A nota das agências é um expediente tremendamente arbitrário. Se tivesse um mínimo de cientificidade não teria havido o desastre de 2008, no qual todas as agências de risco – rigorosamente, todas – haviam dado nota de “bom pagador” AAA a empresas, bancos e títulos que, por suas fraudes, quase destruíram o sistema financeiro mundial. Sob aperto do Congresso para explicar o que, afinal, havia acontecido, todas combinaram a mesma resposta: O que fizemos foi dar nossa opinião, mais nada.
Então qual é a razão para a Grade Imprensa dar tanta atenção às agências? Simplesmente porque elas funcionam como a vanguarda dos interesses financeiros, e são os interesses financeiros que dão suporte à Velha Imprensa. No caso atual, a agência está dando um sinal para que o Governo brasileiro mantenha taxas de juros básicas extorsivas e estrangule o orçamento público para tapar o déficit primário, irrisório em relação ao orçamento como um todo, o qual, caso mantido, não traria qualquer consequência negativa para a economia real.
*Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor do recém-lançado “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, ed. Textonovo, SP. Pode ser adquirido pela Interne

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Panelaços ? Atitude de coxinhas? Sei não...Celio Gari via facebook

Panelaços ?
Atitude de coxinhas?
Sei não...
71% de rejeição com certeza não é da casta que está atrelada e enriquecendo com o governo do PT.
Banqueiros, empreiteiras e os grandes empresários estão rindo a toa e fazendo de tudo para manter este governo no poder pois nunca tiveram tanto lucro.
A casta não representam os 71% de rejeição deste governo e sim os trabalhadores que tem que pagar com o ajuste fiscal, perda de direitos trabalhistas, e a precariedade dos serviços públicos promovido pela chapa PT e PMDB.
O reflexo no município do Rio de Janeiro é o mesmo que temos em Brasília,uma chapa composta por PT e PMDB.
Que demiti trabalhadores por lutarem por direitos, precariza os serviços essenciais, como hospitais, escolas públicas, transportes públicos além da prática de remoções de comunidades arbitrárias a favor do capital.
Quem está suportando presões e injustiças, somos nós trabalhadores que estamos perdendo direitos e perdendo nosso trabalho, condições de compra e de vida social
Fora Dilma ?
Porque não fora toda a chapa, PMDB e PT ?
PT, PMDB e PSDB é que perderam as condições políticas de governar.
E se a Dilma cair, o ajuste fiscal permanecerá e não se iludam com Michel Temer, Lula , FHC e Aécio.
O povo precisa é organizar um lava chato nesta casta do poder PT, PMDB e PSDB e não deixar se enganar ou se iludir com esta falsa polarização desta direita. Pois no Brasil a esquerda nunca assumiu o poder.
Um país que carece de representatividade, que não valoriza a saúde, educação, além dos profissionais. Vou além, os meios de transportes estão numa precariedade que só , reforma agrária não existe, demarcações das terras indígenas !
Tá difícil .
Como pode um país tão rico por natureza ter tantos pobres ?
Porque os estudantes das redes públicas de ensino não conseguem passar nas provas da UERJ, UFRJ, UFF entre outras universidades uma vez que são públicas ?
Eu penso se esses universidades são públicas quem tem que estudar nelas é quem estuda em escolas públicas ou estou enganado ?
E porque não se faz passeatas contra corrupção, retiradas de direitos trabalhista, remoções etc... Que afeta de fato o povo?
As manifestações de junho de 2013, será que voltará ter um novo levante?

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Hipótese sobre o Brasil - Brasileiros

Hipótese sobre o Brasil - Brasileiros

Alfredo Herkenhoff: A Globo fez o monstro. E agora decidiu conter. Mas a revista Veja e os Monstros criados pela Globo agora acham que são Monstros Independentes.

A Globo fez o monstro. E agora decidiu conter. Mas a revista Veja e os Monstros criados pela Globo agora acham que são Monstros Independentes.
São pulgas, Estou me divertindo com os vídeos da turma do domingo 16 nas ruas. E rindo com o ridículo de senadores que até ontem eu compreendia como do bem, ou do lado que compreende que só a Educação nos Salva. Mas! Cacilda, que decepção com Cristovam falando do dia 16. As aparências enganam. Um bobalhão disfarçado de educador.
Bela reportagem sobre a turma por ter sido escaneada pela Folha de Sampa durante o desfile jota hawilliano pela Avenida Paulista no domingo 16.
Só nove por cento dos brasileiros não acham a Dilma horrorosa, pensam eles lendo e vendo os veículos desses herdeiros no poder midiático tradicional acima dos partidecos naquele rodízio brasiliense da roubalheira na incumbência democrática dos cargos públicos de poder...
Ah, mas no meio do caminho tinha a política da inclusão social...
Pensam eles abobalhados: mas só nove por cento não estão aqui com a gente na Av Paulista segundo as pesquisas, mas a Folha, já no esquema da contenção da Globo e do Trabuco-Levy-Bancos-Empreiteiras-Dilma=Lula-Renan e The New York Times, sim, a Folha da Velha Barão de Limeira com esses todos fez o acordo> E estou também nesse acordo...
Sobre a multidão que fez a passeata do domingo 16 na Paulista tudo o que se sabe é que sempre se soube, mas só agora ganha letras e ganha imagens,voz... Agora se sabe quem são esses manifestantes graças ao acordo...
A Folha fez o que ela e a Globo não fizeram nas patrióticas reportagens sobre as megas marchas insensatas de abril e março, quando não entrevistaram quem tinha ido pedir impeachment e tinha acreditado cegamente nelas. Agora não, agora a Folha mostrou a loucura da rua burra...
A Globo, a Folha e a Dilma e a malandragem política de Renan, Janot e The New York Times acertaram. Agora é a verdade: A Folha estatisticou e vai estatisticar tudo daqui pra frente. E mostrou na segunda-feira pós domingo 16... Mostrou o que? Quem foi...
Mostrou que quase oitenta por cento das poucas centenas de milhares que no total foram às ruas em duzentas cidades no domingo 16 votaram em Aécio.
Esses manifestantes então sonharam em convencer quem? Convencer os que lá foram porque já tinham votado em Aécio? Ou foram às ruas convencer a maioria que votou em Dilma como eu e que não se arrependeu como eu não me arrependi? E não fui lá e não gostei do que vi e ouvi...
Essa classe média privilegiadinha foi fazer passeio dominical com camisa amarela de enclausurados pelo FBI, mas eles foram marchar já sem o apoio total da Folha e da Globo, foram lá quiçá ainda confiantes na força de uma cambaleante Veja...
Será que eles estão pensando que a Veja e eles, manifestantes na Paulista 16, ainda são os Monstros da Indignação?
E sonham com maluquices, derrubar, mediante uso de caras camisas amarelas, a Era Lula e Dilma?
Usaram caras camisas amarelas emblemáticas de encarcerados como um ex-governador do Estado de São Paulo na Suíça e de um ainda amigo-acionista da Rede Globo nos States...
E será que ainda acreditam que vão conseguir alguma coisa com camisa amarela da grife Nike fruto de contrato com pré foragidos que nem mais embarcam pro exterior porque podem ir e podem não poder mais voltar pro Brasil?
Mas qual a novidade?
Já especulo: a novidade é a Folha, são as Org Globo, o The New York Times, a Igreja Católica do papa Francisco, a Dilma Búlgara, o Lula Nine Fingers, Eu, Alfredo, o Janot, o Supremo, o Renan e claro com ele o Senado, os amigos ali de Geraldo Alckmin, sim, Aécio e Eduardo Cunha se lascaram, e agora todos nós estamos ficando contra os monstrinhos que criamos e que se acham monstrões no ridículo da última exibição que foi o domingo 16...
Sim, todos nós, nessas contradições nossas estamos aqui nesses dias, mas estamos pelo melhor do Brasil nesse momento, ou pelo menos pior do Brasil nesse momento, sim, nós estamos diante de três fenômenos sociais, políticos e culturais, estamos diante de três desafios pontuais numa crise que poderia talvez se tornar institucional com sangue, mas são pequenas três forças sociais ou políticas, diante de três lepras, sim, lepras políticas, lepras que sonham com uma crise institucional ou com golpe de estado, mas que agora com o acordão se veem elas três diante não mais de uma crise institucional porque não mais haverá, porque os mentores dela desistiram dela pelo perigo e pelos prejuízos, mas diante de um impasse: quem vai ficar do meu lado?
Sim, restam sim esses cacos dessa granada, essas três pequenas lepras, ou forças ou fenômenos residuais que diante da verdade cruel da política não costumam dar em nada, mas incomodam... E vamos là, restam essas três forças morais ou residuais, das quais duas são zero perigo.
Só uma delas é ligeiramente dangerosa.
Qual é?
Calma.
As duas resultantes sociais não perigosas, engendradas pela maluquice que se recompôs, são a classe média de roupa amarela, a que bate panela de barriga cheia e fala merda na rua, e aquela classe política do aloprado em Brasília com o seu baixo clero torcendo por ele sem ver o óbvio, mas que logo mais vai ver que ele está sendo enquadrado, vai ver que o líder está prestes a ser algemado e enjaulado.
E a terceira força perigosa que talvez não seja uma pulga?
Não respondo por discípulos de Berlusconi, desculpa, discípulos de della Pietra...
Paraná é assunto muito sério pra ser tratado por Alfredo. Isso é coisa pra Janot, Globo, Folha, Trabuco, Levy, Supremo, The New York Times, Senado Federal, tucanos e petistas, ou petralhas...
Sou apenas um elo nessas reflexões... Precisamos da democracia até o último dia de nossas vidas.
E mal estamos começando.
Estamos começando mal.
Leia o editorial sobre o Brasil, lance do The New York Times que traduzi horas atrás e que está rolando agora na edição impressa em Manhattan do jornal desta edição de terça, 18 de agosto....

"A idade de ouro da classe média" via Cleuber da Silva Junior

"A idade de ouro.
O chamado milagre econômico brasileiro permite a difusão, à escala do país, do fato da classe média. [...] Essa explosão das classes médias acompanha, neste meio século, a explosão demográfica, a explosão urbana e a explosão do consumo e do crédito. [...]
Vale realçar que no Brasil do milagre, e até durante boa parte da década de 1980, a classe média se expande e se desenvolve sem que houvesse verdadeira competição dentro dela quanto ao uso dos recursos que o mercado ou o Estado lhe ofereciam para a melhoria do seu poder aquisitivo e do seu bem-estar material. Todos iam subindo juntos, embora para andares diferentes. Mas todos das classes médias estavam cônscios de sua ascensão social e esperançosos de conseguir ainda mais. Daí sua relativa coesão e o sentimento de se haver tornado um poderoso estamento. A competição foi, na realidade, com os pobres, cujo acesso aos bens e serviços se torna cada vez mais difícil, à medida que estes [os pobres] se multiplicam. Vale a pena lembrar as facilidades [p. 109/110] para a aquisição da casa própria, mediante programas governamentais com que foram privilegiados, enquanto os brasileiros mais pobres apenas foram incompletamente atendidos nos últimos anos do regime autoritário. A classe média é a grande beneficiária do crescimento econômico, do modelo político [ditadura] e dos projetos urbanos adotados.
Tal classe média, ao mesmo tempo que se diversifica profissionalmente, aumenta seu poder aquisitivo e melhora qualitativamente, por meio das oportunidades de educação que lhe são abertas, tudo levando à ampliação do seu bem-estar (o que hoje se chama de qualidade de vida), conduzindo-a a acreditar que a preservação das vantagens e perspectivas estivesse assegurada. [...] Tudo o que alimenta a classe média dá-lhe, também, um sentimento de inclusão no sistema político e econômico, e um sentimento de segurança, estimulado pelas constantes medidas do poder em seu favor. Tratava-se, na realidade, de uma moeda de troca, já que a classe média constituía uma base de apoio às ações do governo.
Forma-se, dessa maneira, uma classe média sequiosa de bens materiais, a começar pela propriedade, e mais apegada ao consumo que à cidadania, sócia despreocupada do crescimento e do poder com os quais se confundia. Daí a tolerância, senão a cumplicidade, com o regime autoritário. O modelo econômico importava mais do que o modelo cívico. Eram essas, aliás, condições objetivas necessárias a um crescimento econômico sem democracia. Quando o regime militar esgota seu ciclo, a democracia se instala incompletamente na década de 1980, guardando todos esses vícios de origem e sustentando um regime representativo falsificado [...] (p. 110)
A escassez chega às classes médias.
Tal situação tende a mudar quando a classe média começa a conhecer a experiência da escassez, o que poderá levá-la a uma reinterpretação de sua situação. Nos anos recentes, primeiro de forma lenta ou esporádica e já agora de modo mais sistemático e continuado, a classe média conhece dificuldades que lhe apontam para uma situação existencial bem diferente daquela que conhecera havia poucos anos. Tais dificuldades chegam em um tropel: a educação dos filhos, o cuidado com a saúde, a aquisição ou o aluguel da moradia, a possibilidade de pagar pelo lazer, a falta de garantia no emprego, a deterioração dos salários, a poupança negativa e o crescente endividamento estão levando ao desconforto quanto ao presente e à insegurança quanto ao futuro, tanto o futuro remoto quanto o imediato. [...] A tudo isso se acrescentam, dentro do próprio lar, a apreensão dos filhos em relação ao futuro profissional e as manifestações cotidianas desse desassossego.
Já que não mais encontram os remédios que lhes eram oferecidos pelo mercado ou pelo Estado como solução aos seus problemas individuais emergentes, as classes médias ganham a percepção de que já não mandam, ou de que já não mais participam da partilha do poder. Acostumadas a atribuir aos políticos a solução dos seus problemas, proclamam, agora, seu descontentamento, distanciando-se deles. Elas já não se vêem espelhadas nos partidos e por isso se instalam num desencanto mais abrangente quanto à política propriamente dita. Isso é justificado, em parte, pela visão de consumidor desabusado que alimentou durante décadas, agravada com a fragmentação pela mídia, sobretudo televisiva, da informação e da interpretação do processo social. A certeza de não mais influir politicamente é fortalecida nas classes médias, levando-as, não raro, a reagir negativamente, isto é, a desejar menos política e menos participação, quando a reação correta poderia e deveria ser exatamente a oposta. (p. 111)"
Milton Santos. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Edição de 2011.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

COM TUDO ISSO, PRA QUE IMPEACHMENT? Vários via facebook

COM TUDO ISSO, PRA QUE IMPEACHMENT?
texto de Marilda Teles Maracci :
"A proposta do ministro da Fazenda Joaquim Levy para retomada do "crescimento" (Agenda de cooperação legislativa) vai na mesma linha dos eixos apresentados por Renan Calheiros e atinge diretamente indígenas, pobres e meio ambiente (sobre isso veja o post de Andrea Zhouri que compartilho abaixo).
Parece que começa a fazer sentido a crise política (com consequências econômicas) protagonizada pela oposição e grande mídia (crise travestida de direita X "esquerda"-?).
A violação dos direitos indígenas e populações do campo-águas-florestas, o saque ao meio ambiente, já tão agravados até então, parecem ainda insuficientes para o grande capital.
Tais medidas propostas por Levy parecem também sinalizar sentido à mudança de estratégia da Globo. Será que as cortinas desse trágico espetáculo inciado após as eleições começam a se fechar? Na dimensão do real (pós espetáculo) parece que o que se desenha é um saldo muito, muito tenebroso e com significativa licença social produzida-manipulada (manifestações de direita, fascistas, desgaste da cultura crítica etc)... e... sem impeachment!!!???
_____________________________________________________________
<<"Que vergonha! Que tristeza! Para sair da crise governo propõe saquear indígenas, pobres e meio ambiente! São os mesmos a pagar a conta, sempre!! Realmente grave a situação! Vejam alguns pontos da proposta do Levy!!
Revisão e implementação de marco jurídico do setor de mineração, como forma de atrair investimentos produtivos;
Revisão da legislação de licenciamento de investimentos na zona costeira, áreas naturais protegidas e cidades históricas, como forma de incentivar novos investimentos produtivos;
Revisão dos marcos jurídicos que regulam áreas indígenas, como forma de compatibilizá-las com as atividades produtivas;
Estímulo ao desenvolvimento turístico, aproveitando o câmbio favorável, e à realização de megaeventos. Incluir a eliminação de vistos turísticos para mercados estratégicos, aliado à simplificação de licenciamento para construção de equipamentos e infraestrutura turística em cidades históricas, orla marítima e unidades de conservação;
PEC das Obras Estruturantes – estabelecer processo de fast-track para o licenciamento ambiental para obras estruturantes do PAC e dos programas de concessão, com prazos máximos para emissão de licenças. Simplificar procedimentos de licenciamento ambiental, com a consolidação ou codificação da legislação do setor, que é complexa e muito esparsa;">> (por Andréa Zhouri)"

PL 2016 ANTITERRORISMO por Adrianao Pilatti via facebook

"""A gente percebe que as coisas vão muito mal quando coisas bizarras e absurdas começam a acontecer sem causar escândalo, quando o inominável se torna rotina, quando o grotesco se torna corriqueiro. A deslavada utilização do poder dito "público" para fins privados, para a conquista, a rapina e a vingança. As fuzilarias e as matanças cotidianamente renovadas. As meias verdades e as deturpações em bocas vermelhas, azuis, furta-cores e midiáticas. A transformação de monstruosidades em lei.
A Câmara dos Deputados aprovou na tarde desta quarta o texto-base do Substitutivo do relator ao PL 2016, o primeiro mais horrendo que o segundo. Um verdadeiro aleijão jurídico-penal, um manancial de barbaridades contra as liberdades, os ativismos e os movimentos sociais. Uma excrescência digna do Estado Novo ou da ditadura militar-empresarial. Emendas estão sendo votadas neste momento.
O assunto simplesmente não é notícia na impren$a autoproclamadamente tão comprometida com o "Estado de Direito". O assunto não é assunto nas redes nem para "vermelhos" nem para "azuis", não existe no horizonte de suas disputazinhas, ódios e ambições. Enquanto esse ato institucional era votado, sua obtusa autora falava em democracia, soberania popular, legitimidade e outras coisas de que não entende nem respeita. Farsa a que uma claque igualmente farsante ou obtusa aplaudia contra um outro golpe possível, a sua vez reclamado por outra claque pró-autoritária, enquanto a liberticida a quem a primeira claque apoia tinha sua obra jurídico-fecal aprovada pelo mesmo covil que a combate com selvageria. Surreal.
As claques organizadas se preparam para desfilar nos dias 16 e 20. Nenhuma delas protestará contra o PL 2.016. Falarão em democracia, legalidade, direitos, mas silenciarão diante da legislação de exceção que está sendo gestada no ventre da irresponsabilidade. Por mais estranho que pareça, esse conluio entre as gangues de Cunha e Dilma não deixa de fazer sentido, embora num sentido perverso. O ato institucional de Dilma Rousseff encampado pela Câmara terá como alvo aquilo que todos os poderosos realmente temem: as ruas verdadeiramente contestadoras, os movimentos autônomos, os novos ativismos, o direito de resistência contra os podres poderes. É a grande revanche contra 2013, é a grande medida preventiva para que ele não se repita.
Dilma Rousseff, senhoras e senhores deputado(a)s que hoje estão programando esse assassinato em massa das liberdades: não esqueceremos, não perdoaremos, não relevaremos. A apresentação e a aprovação desse projeto são um risco traçado no chão: a partir de agora, onde estiverem aqueles que, por ação ou omissão, produziram esse resultado macabro, não poderão estar os que defendem escrupulosamente as liberdades. Não encham suas bocas hipócritas para falar em liberdade e democracia enquanto apoiarem, por ação ou omissão, esse golpe cruel contra o poder constituinte.
Dá vontade de jogar a toalha. Só que não." Adriano Pilatti via facebook

domingo, 9 de agosto de 2015

OS BANCOS, O RENTISMO, A GLOBO E A CRISE Luiz Oliveira E Silva‎Conjuntura &

OS BANCOS, O RENTISMO, A GLOBO E A CRISE Luiz Oliveira E SilvaConjuntura & facebook
Trabuco, presidente do Bradesco, hoje na Folha:
"Políticas monetária e fiscal austeras apenas não bastam. A crise política é mais forte que a própria crise econômica. Isso abala a confiança e retarda a retomada. Todos os participantes desse processo –políticos, Executivo, autoridades – têm de pensar grande. Precisamos ter a grandeza de buscar a convergência.
(...)
Uma pesquisa da KPMG desta semana, sobre o humor dos investidores, mostra que o Brasil está entre os três países de preferência, porque os bônus que oferece são concretos para um mundo que está atrás de taxas de retorno. Então, o capital que está investido aqui pode dar um retorno maior e mais seguro que em outros países. Mas precisamos botar isso para funcionar. A pasmaceira tem um custo, e o custo é diluído para toda a sociedade, mesmo para aqueles setores sociais que nada têm a ver com os dissensos que estão acontecendo."
Comentários:
1. O banqueiro quer dizer com isto que o governo federal está fazendo a sua parte com ajuste fiscal e controle de inflação com elevação da taxa de juros, mas o Congresso e a oposição de direita estão atrapalhando.
2. Tudo que os bancos e os rentistas querem é ajuste fiscal e controle de inflação com elevação da taxa de juros, sem sobressaltos.
3. As Organizações Globo são a vanguarda armada do rentismo. Isto ajuda a entender a mudança de posição dos Marinho...

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A TEMPESTADE DE AGOSTO Giuseppe Cocco

A TEMPESTADE DE AGOSTO
O MURO ESTA CAINDO e ninguém sabe o que está atrás dele.
Toda a imprensa hj é atravessada por essa sensação de "fin de régime", do "si salvi chi può". 
Inclusive a IMPRENSA ECONOMICA que em geral ñ faz demagogia e olha direto pras variações nas bolsas e nos bolsos: hj é um boletim do front depois da derrota.
Alguém até grita: "Torni a bordo..."... ma não funciona.
O TRANSATLANTICO ESTA A DERIVA.
O AJUSTE virou rapidamente uma recessão perversa acompanhada de inflação das tarifas de serviços públicos caríssimos e de péssima qualidade.
A operação LAVA-JATO apenas está começando e se anuncia msm como uma "mãos limpas". Multiplicam-se as delações premiadas. É TODO o sistema, o MURO que - pelo visto - está desmoronando.
CONSTERNAÇÃO diante das reputações destruídas que - mesmo sem compartilhar o projeto e a política - muita gente defendeu (eu por exemplo).
DESERTO POLíTICO ocupado por uma justa indignação que - depois de dois anos de irresponsável campanha governista sobre a " onda conservadora", ruma para a direita mesmo.
A ÚLTIMA CARTADA: Mercadante e Temer chamam para A UNIDADE NACIONAL, poucos meses depois da campanha eleitoral onde a violência do marketing foi proporcional à mentira.
Os MOVIMENTOS SOCIAIS ORGANIZADOS chamam para uma contra-manifestação. Dessa vez colocaram para depois, no dia 20. Querem protestar contra a direita (que está no governo) se apoiando em toda a base do governo.
O pano de fundo, um milhão de "colunas" de política e economia.
O GRANDE AUSENTE : A MULTIDÃO de JUNHO DE 2013.
MAS SOMENTE JUNHO PODE RESOLVER A EQUAÇÃO.
Mas junho foi desconstruído pelos que agora correm o risco de serem varridos ... e com eles toda a esquerda.
Junho era o que faltava na Argentina e na Venezuela: um movimento de crítica radical das ilusões e corruções neo-desenvolvimentistas que não escutava as sereias das corruções neoliberais.
Junho virou um ENIGMA, e ninguém fala mais dele.
Mas tudo veio de junho..
Junho é a flor do deserto... agora está em baixo da areia... ñ enxerga o sol ... mas só ela pode nos anunciar uma nova terra... até porque junho não vai voltar.....

terça-feira, 21 de julho de 2015

Entrevista com novo reitor da UFRJ Roberto Leher em Brasil de Fato

Grandes grupos econômicos estão ditando a formação de crianças e jovens brasileiros”
Em entrevista exclusiva, novo reitor da UFRJ, Roberto Leher, aponta os impactos da lógica mercantilizada sobre a educação brasileira e aponta que como grupos financeiros tentam dominar a educação pública.
Um grande negócio. É assim que o novo reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, enxerga o novo momento da educação brasileira.
Em entrevista ao Brasil de Fato, o professor titular da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ traça um panorama do atual estágio da educação no Brasil, e as conclusões não são nada animadoras.
Para Leher, que tomará posse nesta sexta-feira (3), os recentes processos de fusões entre grandes grupos educacionais, como Kroton e Anhanguera, e a criação de movimentos como o Todos pela Educação representam a síntese deste processo.
No primeiro caso, ocorre uma inversão de valores, em que o primordial não é mais a educação em si, mas a busca de lucros exorbitantes por meio de fundos de investimentos. No segundo, a defesa de um projeto de educação básica em que a classe dominante define forma e conteúdo do processo formativo de crianças e jovens brasileiros.
O movimento Todos Pela Educação é uma articulação entre grandes grupos econômicos como bancos (Itaú), empreiteiras, setores do agronegócio e da mineração (Vale) e os meios de comunicação que procuram ditar os rumos da educação no Brasil.
Para o professor, o movimento se organiza numa espécie de Partido da classe dominante, ao pensarem um projeto de educação para o país, organizarem frações de classe em torno desta proposta e criar estratégias de difusão de seu projeto para a sociedade.
“Os setores dominantes se organizaram para definiram como as crianças e jovens brasileiros serão formados. E fazem isso como uma política de classe, atuam como classe que tem objetivos claros, um projeto, concepções clara de formação, de modo a converter o conjunto das crianças e dos jovens em capital humano”, observa o professor.
Confira a entrevista:
Brasil de Fato - Muitos setores denunciam a atual mercantilização da educação brasileira. O que está acontecendo neste setor?
Roberto Leher - De fato há mudanças no que diz respeito a mercantilização da educação, diferente do que acontecia até 2006 no Brasil. Os novos organizadores dessa mercantilização são organizações de natureza financeira, particularmente os chamados fundos de investimento.
Como o próprio nome diz, os fundos de investimentos são fundos constituído por vários investidores, grande parte estrangeiro, como fundos de pensão, trabalhadores da GM, bancos, etc, que apostam num determinado fundo, e esse fundo vai fazer negócios em diversos países.
Em geral, os fundos fazem fusões, como é o caso da Sadia e Perdigão no Brasil. Mas é o mesmo grupo que também adquiri faculdades e organizações educacionais com o objetivo de constituir monopólios.
Esse processo levou a Kroton e a Anhanguera - fundo Advent e Pátria - a constituírem, no Brasil, a maior empresa educacional do mundo, um conglomerado que hoje já possui mais de 1,2 milhão de estudantes, mais do que todas as universidades federais juntas.
O que muda com essa nova forma de mercantilização da educação?
O negócio do investidor não é propriamente a educação, é o fundo. Ele investiu no fundo e quer resposta do fundo, que cria mecanismos para que os lucros dos setores que eles estão fazendo as aquisições e fusões sejam lucros exorbitantes. É isso que valoriza o fundo.
A racionalidade com que é organizada as universidades sob controle dos fundos é uma racionalidade das finanças. São gestores de finanças, não são administrados educacionais. São operadores do mercado financeiro que estão controlando as organizações educacionais.
Toda parte educacional responde uma lógica dos grupos econômicos, e por isso eles fazem articulações com editoras, com softwares, hardwares, computadores, tablets; é um conglomerado que vai redefinindo a formação de milhões de jovens.
No caso do Brasil, cinco fundos têm atualmente cerca de 40% das matrículas da educação superior brasileira, e três fundos têm quase 60% da educação à distância no Brasil.
Quais os interesses dessas grandes corporações para além do econômico?
A principal iniciativa dos setores dominantes na educação básica brasileira é uma coalizão de grupos econômicos chamado Todos pela Educação, organizado pelo setor financeiro, agronegócio, mineral, meios de comunicação, que defendem um projeto de educação de classe, obviamente interpretando os anseios dos setores dominantes para o conjunto da sociedade brasileira.
Em outras palavras, os setores dominantes se organizaram para definiram como as crianças e jovens brasileiros serão formados. E fazem isso como uma política de classe, atuam como classe que tem objetivos claros, um projeto, concepções clara de formação, de modo a converter o conjunto das crianças e dos jovens em capital humano.
Em última instância, é com isso que eles estão preocupados: em como fazer com que a juventude seja educada na perspectiva de serem um fator da produção. Essa é a racionalidade geral, e isso tem várias mediações pedagógicas.
A aparência é de que estão preocupados com a alfabetização, com a escolarização, com o aprendizado, etc. E de fato estão, mas dentro dessa matriz de classe, no sentido de educar a juventude para o que seria esse novo espírito do capitalismo, de modo que não vislumbrem outra maneira de vida que não aquela em que serão mercadorias, apenas força de trabalho.
De que maneira eles interferem nas políticas educacionais do Estado?
Como sociedade civil, os setores dominantes buscam interferir nas políticas de Estado. O Todos pela Educação conseguiu difundir a sua proposta educativa para o Estado, inicialmente por meio do Plano Nacional de Educação (PNE) - que aliás foi homenageado com o nome Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, em referência ao movimento. Com isso definiram em grandes linhas o que seria o PNE que está vigente.
Articulam por meio de leis, mas também da adesão de secretários municipais e estaduais às suas metas, aos seus objetivos. Articulam com o Estado, que cria programas, como o programa de ações articuladas, em que a prefeitura, quando apresenta um projeto para o desenvolvimento da educação municipal, tem que implicitamente aderir às metas do movimento Todos pela Educação.
Temos um complexo muito sofisticado que interage as frações burguesas dominantes, as políticas de Estado e os meios operativos do Estado para viabilizar esta agenda educacional.
Mas como se dá isso na prática?
Quando um município faz um programa de educação para a sua região, ele já deve estar organizado com base no princípio de que existe uma idade certa para educação, que os conteúdos não devem se referenciar nos conhecimentos, mas sim no que eles chamam de competências, que o professor não deve escapar deste currículo mínimo que eles estão desenvolvendo por meio de uma coerção da avaliação.
A escola que não consegue bons índices no Idep [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] é penalizada, desmoralizada, sai nos jornais, e isso cria um constrangimento que chega ao cotidiano da sala de aula, e as prefeituras pressionadas por esses índices acabam sucumbidos às fórmulas que o capital oferece. A mais importante delas é comprar sistemas de ensino, apostilas, que são fornecidos pelas próprias corporações.
O professor está em sala de aula, recebe apostilas, exames padronizadas que foram feitos pela corporação, e na prática, ao invés do professor desenvolver um papel intelectual, criador, ele tem que ser muito mais um aplicador das cartilhas, um entregador de conhecimento, e isso obviamente esvazia o papel do professor que tem consequências diretas com o processo de formação.
A formação esperada do educador não é uma formação enquanto intelectual, mas sim como alguém que sabe desenvolver técnicas para aplicar aquelas pacotes que as corporações preparam.
E há resistências a isso?
Existe um complexo de situações onde as resistências, as tensões são muito grandes, o que traz infelicidade aos professores e aos estudantes, mas tudo isso é muito difuso. As resistências acontecem na forma de lutas sindicais, quando fazem greve criticando a chamada “meritocracia”, os sistemas de avaliação.
Aparecem aqui e ali, mas é forçoso reconhecer que existe um complexo de controle sobre as escolas que restringem muito a margem de manobra dos trabalhadores da educação para desenvolverem um projeto pedagógico autônomo e crítico.
Essa situação é agravada quando a própria direção da escola, que deveria pensar como a escola se auto governa, vem sendo ressignificada como um papel de gestão. O diretor e os coordenadores são pensados como gestores na lógica de uma empresa, que deve cumprir metas, fiscalizar o cumprimento delas e tentar atingir essas metas de todas as formas.
Temos uma mudança de referências quando a própria equipe de coordenação da escola se torna uma equipe de gestores. No documento Pátria Educadora há uma possibilidade de punição dos professores que não cumprirem as metas.
Por sinal, o Pátria Educadora é um dos programas carro chefe do governo federal. Como você avalia este documento?
Não casualmente, esse documento foi elaborado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), atualmente dirigido pelo ministro Mangabeira Unger. Ele parte de um diagnóstico de que o modelo de desenvolvimento baseado em commodities se esgotou com a crise mundial, com seus preços despencando depois daquele período de ouro entre 2004 e 2009.

Crédito: Antônio Cruz/Agência Brasil
Com a desvalorização dessas commodities, Mangabeira chama atenção para o fato de que o Brasil deveria buscar outra forma de inserção na economia mundial que não fosse apenas de commodities.
E a minha hipótese é que eles estão sinalizando nesse documento que o Brasil deveria ser uma espécie de plataforma de exportação, assim como já existe na fronteira norte do México, em alguns países asiáticos - o modelo chinês foi isso nos anos 90, de ser um local em que a força de trabalho é muito explorada, recebe um treinamento específico que permite uma exploração muito grande, e esses países entram em circuitos de produção industrial de maneira subalterna, explorando o que seriam sua vantagens comparativas: baixo custo de energia, da força de trabalho, baixa regulamentação ambiental, e isso daria vantagens competitivas novamente ao país.
O drama é que a concepção do Pátria Educadora tem como correspondência a ideia de que a formação da maior parte da força de trabalho no Brasil deve ser por um trabalho mais simples, e isso tem consequências pedagógicas muito grande.
Se é para formar para o trabalho simples, a maior parte das escolas podem ser instituições estruturadas para a formação de um trabalho de menor complexidade, que seria desdobrados em processos de formação técnica de cursos de curta duração, cujo exemplo mais conhecido é o Pronatec, em que grande parte dos cursos são aligeirados para a formação de uma força de trabalho simples - tanto aquela que já estará inserida no mercado quanto aquela que constitui o que podemos denominar de um exército industrial de reserva.
O documento Pátria Educadora altera a racionalidade da organização da escola quando vislumbra escolas que vão formar forças de trabalho de menor complexidade. É importante destacar que no documento encontramos uma formulação muito perigosa de enormes consequências para o futuro da educação brasileira, que é a referência que o Mangabeira faz da adoção de um modelo tipo SUS (Sistema Único de Saúde).
O que é isso?
O modelo SUS teve como objetivo assegurar o direito ao atendimento à saúde de maneira universal, e isso poderia ser feito tanto pelo órgãos públicos quanto pelas entidades privadas.
Quando Mangabeira reivindica o modelo SUS, claramente está sinalizando que a formação do conjunto da classe trabalhadora deveria ser feita em nome de uma suposta democratização, realizada tanto pelas instituições públicas quanto pelas organizações privadas.
Isso é congruente com o PNE aprovado em 2014, ao estabelecer que a verba pública é aquela utilizada nas instituições públicas, mas também em todas as parcerias público-privadas, como o FIES, PROUNI, Ciências Sem Fronteira, PRONATEC, Pronacampo, sistema S, tudo isso entra como recurso público.
A rigor, estamos diante de uma política que pode indiferenciar as instituições públicas e privadas em detrimento do público, já que as corporações também se acercam da educação básica.
Em setembro acontecerá o 2° Encontro Nacional dos Educadores e Educadoras da Reforma Agrária (Enera), em Brasília. Como o Enera se insere nesta conjuntura?
Tenho uma expectativa muito positiva em relação ao segundo Enera. No primeiro Enera tivemos a constituição de outra perspectiva pedagógica para a educação brasileira, que foi a Educação do Campo, uma conceituação do que seria uma educação pública voltada para o campo, mas com um horizonte de formação humana que ultrapassa o campo.
Foi certamente uma proposta que promoveu sínteses brilhantes entre uma perspectiva crítica que vem do campo marxista, da ideia da escola unitária, do trabalho, ao compreender que o trabalho deveria ser um elemento simbólico, imaginativo, capaz de nos constituir como seres humanos, e que portanto a escola é o lugar da cultura, da arte, da ciência, da tecnologia, e não uma instituição livresca. É uma instituição que tem interação com o mundo, com a vida, com os processos de trabalho, com a produção real da cultura em diversos espaços, como pensar no que significa a agricultura no Brasil.
Foi uma proposta pedagógica que promoveu sínteses incorporando pensamento critico marxista, tradição latino-americana de educação popular, particularmente com Paulo Freire, e criou bases para um pensamento pedagógico socialista.
O segundo Enera, a meu ver, está desafiado pela conjuntura a fazer um balanço do que foi essa mercantilização e de como o capital está tentando se apropriar do conjunto da educação básica.
Ao fazer essa reflexão, certamente o Enera vai ajudar a criar bases para uma perspectiva de educação pública unitária capaz de contrapor a educação frente à lógica de movimentos empresariais como o Todos pela Educação.
Pode haver incorporações de elementos novos na nossa reflexão sobre a pedagogia socialista que respondam desafios da ofensiva do capital, mas sobretudo respondam os anseios que estão pulsando em todo o país em torno da educação pública.
Como as últimas greves na educação?
Podemos problematizar a fragmentação das lutas pela educação, o fato de que muitas vezes são lutas econômicas e corporativas, que estão vinculadas as políticas municipais e estaduais, mas não tenho dúvidas de que essas lutas que estão pulsando no país estão enfrentando aspectos dessa pedagogia do capital, criticando a meritocracia, a racionalidade das competências e dos sistemas centralizados de avaliação, o uso de cartilhas.
Temos críticas reais a essa lógica de controle que o capital está buscando sobre a educação básica, mas precisamos sistematizar isso com outros fundamentos pedagógicos, e aprofundando a experiência que foi construída a partir do primeiro Enera.
No segundo Enera acredito que novas dimensões para essa pedagogia socialista vão ser esboçados, e não como o resultado de um processo em que os especialistas de educação do MST vão se reunir e pensar o que seria essa agenda.
Ao contrário, como resultado de uma articulação de movimentos que estão fazendo educação pública e estão buscando uma educação criativa, que estão fazendo as lutas de resistências com as greves, mobilizações, com a participação de estudantes.
Esta riqueza de produções que estão em circulação nas lutas em defesa da educação pública que podem criar uma sistematização maior. Creia condições para que possamos ampliar esta aliança entre experiências da luta urbana com as que vieram do campo, produzindo novas sínteses e novas possibilidades para que a classe trabalhadora tenha sua própria agenda para o futuro da educação pública.
É um processo longo e exigirá um esforço organizativo e intelectual de enorme envergadura. Temos que ter uma produção pedagógica mais sistematizadas, mais profunda, para criarmos a base desse pensamento pedagógico crítico, que assegure uma formação integral, mas uma educação que recusa a divisão dos seres humanos em dois grupos: um que pensa e mando, outro que executa e obedece.
Essas bases para uma proposta socialista estão sendo gestadas nas lutas, mas com o ENERA podemos ganhar um momento de qualidade no terreno da elaboração, articulação e organização em defesa desse projeto de novo tipo.
Publicado originalmente em Brasil de Fato