segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Juliana Russo

Juliana Russo

Vivendo nas cidades- O espaço Urbano como desafio Criativo.

“O mundo entrou no milênio urbano”, foi a frase que Kofi Annan, o ex secretário Geral das Nações Unidas começou a segunda Conferência Global sobre Assentamentos Humanos. Essa frase se justifica no fato de que no início do século 20 contamos com mais de 16 cidades com mais de 6 milhões de habitantes e quase 400 grandes cidades que recebem todos os dias ondas enormes de novos habitantes. E esses números continuam a crescer. No meio desse século mais de 70% da população mundial viverá em áreas urbanas.

Mas o conceito de cidade não é tema central apenas nas mentes de polícicos, urbanistas e arquitetos, mas também, nas mentes de criativos urbanos, para quem a cidade em toda sua beleza e diversidade caótica não só representa seu habitat natural, mas também a sua área principal de atuação. É aí que a cidade oferece uma infinidade de oportunidades criativas para engajamentos alternativos muito além das convensões da arquitetura e do planejamento territorial. (MAIS NO LINK)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Home on Vimeo

Home on Vimeo
"Home" is a 3-minutes-documentary about where I/we live. A full package of different techniques and a mix of interviews with very personal views of a home. by Natalie Wallrapp

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Were the riots about race? | UK news | The Guardian

Were the riots about race? | UK news | The Guardian

200 most influential Twitter users during the riots: are you on the list? | News | guardian.co.uk

200 most influential Twitter users during the riots: are you on the list? | News | guardian.co.uk

he Guardian has obtained a database of more than 2.5m twitter messages related to the riots.
These messages - unique records of what happened during the August riots, as they happened - have been used in a range of analyses, including how rumours spread and were eventually debunked.
At the Datablog we have been able to identify the twitter accounts that had the most content retweeted. We also found the most frequently-used hashtags. (...) ver mais no link

OCCUPY AMSTERDAM (Everlast - I Get By)

Occupy Amsterdam - tour du jour 04-12-2011

domingo, 16 de outubro de 2011

Em Wall Street por Keith Gessen

Em Wall Street Keith Gessen, London Review of Books, vol. 33, n. 20, p. 29, 20/10/2011
http://www.lrb.co.uk/v33/n20/keith-gessen/on-wall-street
tradução de [Enxame_nomade]

Quando os manifestantes começaram a ocupar Wall Street, eu estava ocupado (mais ou menos) e, para ser sincero, relutante. Detesto essas coisas. Detesto ficar parado em pé no mesmo lugar, cercado por policiais, gritando slogans tolos. “Sem justiça, não há paz”. Será mesmo? “De quem é a rua? A rua é nossa”. Ora, é e não é. A futilidade também é meio frustrante. Participei das manifestações contra o bombardeio do Kosovo; o bombardeio de Belgrado; a invasão do Afeganistão; a invasão do Iraque. Gostaria que a lista fosse maior, mas, parece, só me decido a sair de casa contra os F-15s. Não, não é verdade. Também saí e protestei à frente da Convenção nacional do Partido Democrata em 2000. Para mim, Gore era centrista demais. Aquela, pelo menos, nós ganhamos.

Na Rússia, onde também protestei contra várias coisas, sempre me senti diferente – há algo em estar ali, quase sempre no frio, mostrando a cara à frente da Polícia russa; mostrando que você não tem medo deles. Sempre parecia que valia a pena. Não sei se valia ou não. Sempre havia muito mais policiais que manifestantes. Sempre éramos menos do que gostaríamos de ser. No inverno, quando os nacionalistas das torcidas de futebol ocuparam Manezh Square, sob os muros do Kremlin, foi diferente. Eram muitos, muitos mais que a Polícia. Só não derrotaram a Polícia, porque não quiseram. Se, naquela noite, as torcidas de futebol tivessem decidido ocupar o Kremlin, provavelmente teriam ocupado. (Em vez disso, atacaram não eslavos que passavam por ali.) Aquela multidão fez todos os demais protestos de que participei em Moscou nos últimos quatro anos parecerem tímidos, frágeis, patéticos.

Ontem, na praça Foley[1], havia, no mínimo, dez mil pessoas. Fiquei sem ar, boquiaberto. As fachadas neoclássicas dos cinco prédios da Justiça em volta da praça. Normalmente, dão à praça um ar de desolação, como se você tivesse sido jogado em Washington DC. Mas com toda aquela gente... parecia a Europa. Muitos sindicalistas de meia idade, vindos de todos os cantos da cidade; muita gente também, de ar interessado, sério e também (minha opinião) gente frívola, mais ou menos da minha idade, dessa gente que se vê andando pela cidade. Camaradas, é aqui que a coisa acontece.

Fazia tempo que não lembrava, mas voltou-me à cabeça um protesto do qual não participamos. Lembro só das imagens de televisão: um grupo de jovens Republicanos, homens e mulheres, ternos e terninhos de trabalho, cantando à frente de uma cantina escolar (acho que era) onde, na Flórida, acontecia a recontagem dos votos [reeleição de Bush], exigindo que a recontagem fosse suspensa. O Wall Street Journal noticiou o evento, alguns dias depois, como “levante burguês” espontâneo. De fato, não passavam de assessores parlamentares do Partido Republicano, mandados de avião para a Flórida, para protestar. Mas e nós? Onde estávamos? Em casa, sentados, enquanto os burgueses lá estavam, mobilizados, dando seu recado: se os votos fossem contados e o resultado da eleição fosse revertido, seria a guera civil.

Ontem, a multidão demorou duas horas para andar seis quarteirões até o Zuccotti Park, onde algo entre 50 e 500 pessoas – estudantes, anarquistas, anarquistas que estudam – vivem acampados há três semanas. A primeira impressão do parque é que a população de outro parque – Washington Square Park – se transferira para lá, com toda a mudança. Mas era a praça Washington Square em armas. Do lado leste do parque, um círculo de pessoas batia tambor. Na praça Washington Square, seria a trilha sonora de sua juventude perdida. Ali, eram tambores de guerra. Boa parte do Zuccotti Park foi ocupado por sacos de dormir, muitos deles cobertos com lona azul, para protegê-los da chuva. (É ilegal montar barracas sem autorização em New York City, para manter os sem tetos afastados do centro da cidade, e, agora, para impedir que os manifestantes montem o seu cartaz ideal.) No centro do parque está montado uma espécie de bufê, com pessoas andando em fila e pilhas de pizzas doadas e macarrão, servido nos pratos. Ninguém parecia interessado nas maçãs disponíveis numa grande caixa. Ali perto, o centro de imprensa e mídia – cerca de doze pessoas reunidas em roda, cada um com seu laptop, e um pequeno gerador com vários cabos interconectados e wifi.

O parque ocupado fica logo depois de uma esquina de Wall Street; é praticamente do outro lado da rua, à frente do gigantesco canteiro de obras do Marco Zero. A nova sede do banco Goldman Sachs fica logo ao lado do poço das fundações do Marco Zero. Uma loja de Brooks Brothers de um lado do parque, e outra, de Men’s Wearhouse, do outro lado. Os banqueiros tiveram de atravessar o parque. Um acampado, jovem petroleiro do Alasca, contou-me que praticamente não dormira na noite anterior, primeiro porque os ocupantes faziam muito barulho e, depois, quando resolveram dormir, começaram os banqueiros, a passar por cima de seu saco de dormir, desde as 5h30 da madrugada. Se fossem pela própria Wall Street, logo veriam que todas as medidas de segurança implantadas depois do 11/9 foram reforçadas por vários bloqueios da Polícia, para impedir o crescimento natural da ocupação, que levaria um oceano de manifestantes e seus sacos de dormir até a porta do prédio da Bolsa de Valores de New York.

Não sei se os banqueiros têm-se sentido mais desconfortáveis em New York nas últimas semanas, que nos últimos anos, mas é possível. Uma coisa é ser espinafrado pelo culto e barbudo Paul Krugman ou pelo mau-humorado Barney Frank; outra coisa, bem diferente, é ser mandado calar o bico (“O dinheiro fala... demais!”, lê-se num cartaz), por uma coleção sortida e sempre crescente de jovens saudáveis e bonitos. Já é bom começo, para os banqueiros pararem de desgraçar algumas das cabeças mais brilhantes dessa geração. Que Goldman Sachs construa a nova sede, mas não tenha coragem de pôr as palavras “Goldman” ou “Sachs” na fachada do n. 200 de West Street, isso sim, também já é alguma coisa.

Manhattan foi construída do sul para o norte, e o distrito financeiro, no extremo sul da ilha, é a parte mais antiga da cidade. A igreja Trinity, ao lado do Zuccotti Park, é a mais antiga da cidade, como o cemitério que há ali ao lado. (Onde está enterrado Alexander Hamilton, fundador do Federal Reserve.) Há algo de grandioso, embora assustador, no distrito financeiro. As fotos famosas de Paul Strand, de 1915[2], de banqueiros andando para o trabalho de manhã cedo, transformados em anões, pela arquitetura de proporções tão gigantescas que parece ter sido construída para outra espécie, muito maior que nós, ainda captura bem o clima, sobretudo depois que o sino do encerramento das operações na Bolsa já pôs para fora os trabalhadores e meteu-os no trem para New Jersey. Ninguém vem passear aqui; aqui, nada acontece. Até que aconteceu.

Anteontem, dia da grande marcha que partiu da praça Foley, partimos antes de um pequeno grupo de ativistas que andou para o centro e tentou atravessar uma barreira da polícia para chegar à própria Wall Street. Vi pelo YouTube, na mesma noite: um policial girando o cassetete como se fosse taco de baseball, fazendo-o descer sobre carne humana. No dia seguinte, começaram as ocupações dos centros cívicos por todo o país na Philadelphia, Austin, Washington, Los Angeles – até em Boston.

Voltei ao Zuccotti Park aquela noite, para a Assembleia Geral diária. Esperava discussão tediosa sobre a ideologia e as demandas da ocupação – ressuscitar a lei Glass-Steagall Act? –, mas logo vi, deliciado, que a pauta incluía, quase exclusivamente, questões de logística. Cerca de 80 pessoas ouviam e repetiam (é o “microfone do povo”) os relatórios de vários ‘comitês’ altamente práticos.

O rapaz da internet relatou que já estava quase pronto um novo website e também propôs que se votasse se a ala oeste do parque (a roda dos tambores) deveria receber uma conexão de internet; o comitê Legal relatou que muitos advogados haviam informado que estavam vindo; que, por isso, o comitê Legal seria reorganizado em vários subcomitês. Relações Públicas pediu que, fosse quem fosse o sujeito que andava fazendo telefonemas de críticas à Associated Press, que parasse imediatamente. “Nosso objetivo não é atacar a imprensa. Nosso objetivo é manipular a imprensa, para que divulgue nossa mensagem para todo o planeta.” (Disse também que quem tivesse planos de ações contra a imprensa fizesse contato com o comitê, para discussão e assessoramento.) O Comitê de Arte e Cultura anunciou que “a poesia da Revolução tem de ser inesquecível”, informou sobre show artístico que estava sendo organizado e prometeu uma grande surpresa para depois da Assembleia Geral– como depois se viu, o rapper Talib Kweli cantou para todos. O comitê de Relações Comunitárias apresentou relatório sóbrio, mas otimista: haviam participado de reuniões da comunidade local e ouvido as preocupações dos moradores da área – disseram que, no 11/9, a vida daquela região foi terrivelmente abalada. E que, agora, outra vez, a vida deles está sendo terrivelmente abalada. Os altos prédios que cercam o parque Zuccotti criam um corredor de eco, e alguns dos bloqueios implantados pela Polícia para impedir a passagem dos manifestantes até a Wall Street também impedem que os moradores usem as calçadas diariamente. Por enquanto, relataram um rapaz e uma moça do comitê de Relações Comunitárias, os moradores decidiram não apresentar queixa contra os manifestantes – mas o comitê de Relações Comunitárias destacou a importância de os ocupantes continuarem a ser muito cordiais com os moradores da área. Sem o apoio da população residente local, a ocupação pisará sobre gelo muito mais fino. É claro que os ocupantes só podem exigir ficar onde estão: no nosso escritório em Wall Street. Que outras ocupações façam outras demandas. O objetivo da primeira ocupação é permanecer onde estamos.

Gostei muito do relatório do comitê Sanitário, cujas linhas, atentamente repetidas duas vezes pelos manifestantes, para que todos ouvissem – o “microfone do povo” – soou como a mais perfeita agenda de limpeza e organização popular que jamais ouvi. “Amanhã”, disse a moça (“amanhã” repetiam os das primeiras filas; “amanhã”, repetiam novamente os das filas de trás, no microfone do povo),“vamos limpar toda a área. Quem estiver dormindo aqui, deve limpar e arrumar suas coisas até o meio dia (“meio dia”, “meio dia”, pelo microfone do povo). Se quando passarmos para recolher, os papelões e a sujeira de cada um já estiverem reunidos, será ótimo”.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Conselho ao pessoal de Occupy Wall Street - Matt Taibbi

Meu conselho ao pessoal de Occupy Wall Street:
Peguem os banqueiros pelo ponto que mais dói
12/10/2011, Matt Taibbi, revista Rolling Stones (ed. 27/10/2011)
http://www.rollingstone.com/politics/news/my-advice-to-the-occupy-wall-street-protesters-20111012


Já estive duas vezes, até agora, em Occupy Wall Street, e adoro aquilo lá. Os protestos que começaram na Praça Liberty e já se espalharam por toda a parte baixa de Manhattan são importantíssimos, resposta lógica ao Tea Party e dedo bem dado à cara da elite financeira. Os manifestantes escolheram o alvo certo e, pela recusa a deixarem a praça desde o primeiro dia, também a tática correta, mostrando ao grande público que o movimento contra Wall Street tem pique, decisão e, a cada dia, ganha mais apelo popular.

Mas... há um mas. E, para mim, é uma coisa pessoal profunda, porque essa questão de combater a corrupção que Wall Street gera é causa à qual dedico minha vida há anos, e é difícil para mim não ver qualquer ação de Occupy Wall justamente na direção em que o movimento pode ser melhor e mais eficaz. Penso, por exemplo, que os bancos devem ter-se rejubilado secretamente nos primeiros dias de protesto, certos de que haviam vencido o primeiro round da guerra pela opinião pública.

Por quê? Porque depois de uma década de roubo sem paralelo, de corrupção como jamais se viu no mundo, com dezenas de milhões de norte-americanos passando à categoria de sem teto e famintos, graças aos preços da comida artificialmente inflados, e com outros milhões de norte-americanos despejados de suas casas pela corrupção no mercado imobiliário, as manchetes de jornais durante a primeira semana de protestos contra o setor financeiro e de serviços foram dignas de revistinha de colégio de meninas.

Na minha opinião, isso diz muitíssimo sobre o desafio inicial de opor-se à hidra de 50 cabeças da corrupção pelos banqueiros de Wall Street, porque é extremamente difícil explicar os crimes da moderna elite financeira num infográfico simples.

A essência desse tipo específico de poder oligárquico é a complexidade e a invisibilidade no dia a dia. Seus piores crimes, do suborno e tráfico de influência à manipulação do mercado, do domínio sobre o governo político, comandado dos bastidores, à usurpação da estrutura regulatória que se faz dentro dos parlamentos, nada disso pode ser visto pela opinião pública, nem é noticiado pela televisão. Não haverá a foto icônica da menina com o corpo queimado por napalm, com Goldman Sachs, Citigroup ou Bank of America. – Só há 62 milhões de norte-americanos com zero na conta poupança, ou ainda devendo dinheiro, coçando a cabeça e sem entender para onde foi o seu dinheiro sumido e por que os seus votos parecem valer menos e menos, e cada vez menos, a cada ano.

Mas não importa. Façam o que fizerem, sempre apoiarei Occupy Wall Street. E acho que a estratégia básica do movimento – construir grandes números e não abandonar a praça, em vez de prender-se a um ou outro conjunto fechado de princípios – fez e continua a fazer pleno sentido. Mas aproxima-se rapidamente o momento em que o movimento terá de oferecer solução concreta aos problemas criados por Wall Street. Para fazer isso, precisarão de uma lista curta, mas potente, de reivindicações. Há milhares, mas sugiro que o movimento concentre-se em cinco:

1. Quebrar os monopólios. As cinco grandes empresas financeiras, chamadas “Grandes Demais para Quebrar” – também chamadas, mais precisamente, de “Instituições Sistemicamente Daninhas” – são ameaça direta à segurança nacional. Estão acima da lei e acima das consequências de mercado, o que as torna mais perigosas e imperscrutáveis que mil máfias reunidas. Há cerca de 20 dessas empresas nos EUA – e têm de ser desmontadas. Bom começo nessa direção seria rejeitar a ‘Lei Gramm-Leach-Bliley’ [ing. Gramm-Leach-Bliley Act[1]] e ordenar a separação das empresas de seguros, bancos de investimento e bancos comerciais.

2. Que eles paguem pelos próprios ‘resgates’. Uma taxa de 0,1% de todos os negócios de ações e bônus e uma taxa de 0,01% de todos os negócios com derivativos gerariam dinheiro suficiente para devolver aos contribuintes o que nos foi roubado nos ‘resgates’, e ainda sobraria muito para combater os déficits que os bancos alegam que tanto os preocupam. Ajudaria a conter a caça sem fim a lucros instantâneos através de esquemas de negócios internos como High Frequency Trading, e forçaria Wall Street a voltar ao negócio que se espera que seja seu meio de vida, i.e., fazer investimentos decentes em empresas que gerem empregos e ajudá-las a crescer.

3. Nada de dinheiro público para lobbies privados. Uma empresa que recebe ‘resgate’ público não pode ser autorizada a usar o próprio dinheiro dos contribuintes para pagar lobbies contra os contribuintes. Você pode ou mamar nas tetas do estado ou influenciar a eleição do próximo presidente, mas não poderá mais fazer as duas coisas. Caiam fora e deixem o povo eleger livremente o próximo presidente e o Congresso.

4. Taxem os jogadores da jogatina dos fundos hedge. Para começar, temos de repelir imediatamente o corte de impostos obsceno e indefensável, que permite que titãs dos hedge funds como Stevie Cohen e John Paulson paguem impostos de apenas 15% dos bilhões que ganham na jogatina financeira, enquanto cidadãos norte-americanos comuns pagam o dobro disso por ensinar crianças ou apagar incêndios. Desafio qualquer político a levantar-se para defender esses buracos da lei, em ano eleitoral.

5. Mudar o modo como os banqueiros são remunerados. Temos de ter leis que impeçam que executivos de Wall Street recebam bônus por encobrir negociatas que, mais cedo ou mais tarde, sempre explodem na nossa cara. Tem de ser assim: você faz um negócio, compra ações de empresas que você poderá revender em dois ou três anos. Assim, todos serão obrigados a investir na saúde financeira das próprias empresas, no longo prazo – e fim dos Joe Cassanos embolsando bônus multimilionários, só porque destruíram as AIGs do mundo.

Citando o imortal filósofo político Matt Damon de Cartas na Mesa[2], “a chave para pôquer sem limite é obrigar um homem a tomar decisões que envolvem todas as suas fichas.” A única razão pela qual os Lloyd Blankfeins e Jamie Dimons do mundo sobrevivem é que jamais são forçados, pela imprensa ou pela lei ou seja por que for, a pôr todas as suas cartas na mesa. Se Occupy Wall Street pode fazer isso – se pode falar ao mesmo tempo aos milhões de norte-americanos que os bancos reduziram à miséria e converteram em sem-tetos e desempregados – então, sim, há chance de que construa movimento massivo, de base. Só precisa meter um fósforo aceso no ponto certo, e lá estará o apoio popular para reformas reais – não depois, mas já, imediatamente.

NOTAS
[1] A Lei Gramm–Leach–Bliley Act (GLB), também chamada “Lei de Modernização dos Serviços Financeiros”, de 1999 (Pub. L. No. 106-102, 113 Stat. 1338, aprovada dia 12/11/1999) é lei aprovada pelo Congresso dos EUA (legislatura 1999–2001). Foi sancionada pelo presidente Bill Clinton e rejeitou parte da Lei Glass–Steagall (‘Lei da Prudência Bancária’) de 1933, abrindo os mercados para bancos e empresas de seguros. A Lei Glass–Steagall proibia que uma instituição atuasse em qualquer tipo de combinação como banco de investimento, banco comercial e empresa de seguros (mais, sobre isso, em http://en.wikipedia.org/wiki/Gramm%E2%80%93Leach%E2%80%93Bliley_Act) [NTs].
[2] Rounders, filme de 1998. O personagem de Matt Demon é jogador que abandonou o pano verde, mas tem de voltar a jogar pôquer de apostas altíssimas, para ajudar um amigo perseguido por agiotas (mais em http://www.imdb.com/title/tt0128442/) [NTs].

sábado, 20 de agosto de 2011

RECETAS URBANAS

RECETAS URBANAS
TXT/ ADVERTENCIA

"Todas las recetas urbanas mostradas a continuación son de uso público, pudiendo ser utilizadas en todo su desarrollo estratégico y jurídico por los ciudadanos que se animen a hacerlo. Se recomienda el estudio exhaustivo de las distintas localizaciones y situaciones urbanas en las que el ciudadano quiera intervenir. Cualquier riesgo físico o intelectual producido con el uso de las mismas correrá a cargo del ciudadano."

Santiago Cirugeda


Revista Global Brasil

Revista Global Brasil

Indignação no MundoBraz


O número 14 da Global, totalmente online, traz o debate sobre os processos de indignação que ocorrem desde a Praça Tahrir, no Egito, aos POBRES cariocas que estão sendo REMOVIDOS em função do processo de desocupação por conta das obras das Olimpíadas de 2016; das manifestações contra a democracia dos poucos na Espanha aos desmonte da democratização real que sofre o atual Ministério da Cultura, no Brasil. Em comum, essas lutas são marcadas pelas dimensões produtivas da vida, que resiste a se deixar capitalizar.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Dispositivo segundo Manuel Gausa


Um dispositivo pode ser um sistema, um mecanismo, uma estratégia, uma lógica operativa ou organizacional (infra-estrutural). Não se refere a estruturas vinculantes, mas a processos relacionais, que podem mesmo negar a formalidade do sistema. Um dispositivo é um veículo de processar informações e situações, é simultaneamente “resposta global e local”, que pode ser apresentado por um “mapa de movimentos ou diagramas” (Manuel Gausa, 2001).
A compreensão do dispositivo como agenciamento, conceito de Gilles Deleuze e Felix Guattari, o torna imediatamente territorial, possibilitando distinguir conteúdo e expressão. Uma outra maneira abordar o dispositivo, como agenciamento territorial, é observando as linhas, que o franqueiam a outros agenciamentos, as linhas de desterritorialização (DELEUZE & GUATTARI, 2002).
In Dispositivos territoriais das redes Mundiais tese de doutorado PUCSP, 2004. orientação Nelson Brissac

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Riots updated: Sennett, Rykwert, Till, de Botton, Tavernor and more on why Britain is burning | News | Architects Journal

Riots updated: Sennett, Rykwert, Till, de Botton, Tavernor and more on why Britain is burning | News | Architects Journal

Joseph Rykwert- We need to think about public housing and public space - quickly C

Richard Sennett - The riots were all too predictable (...)

Jeremy Till - At least the architects are not blamed this time, as we were with Broadwater. Nor could we be, because (quoting Simmel) the city is not a spatial entity with sociological consequences, but a sociological entity that is formed spatially. Here the riots spatialise years of ramping up of social inequality. (...)

William JR Curtis - London has been up for sale to the highest bidders in the international plutocracy for years and the results are there to see in the Shard and all the other grotesque signs of exaggerated wealth that are in fact impoverishing the public realm for everybody else. (...) Is one surprised that one kind of violence is responding to another kind? No, not really. (...)

Yasmin Sharif- (...) What we are experiencing are the consequence of policies which pander to big business and line the pockets of bankers, developers, PFI companies and other private organisations at the expense of the public purse.

Leitura dos outros no link-título

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Henri Lefebvre, inventor do direito à cidade | Ponto de Cultura - Outras Palavras

Henri Lefebvre, inventor do direito à cidade | Ponto de Cultura - Outras Palavras

O “direito à cidade” foi pioneiramente concebido como tal por Henri Lefebvre, na obra-manifesto Le droit à la ville, publicado poucos meses antes de maio de 1968. Lefebvre repudia a postura determinista e metafísica do urbanismo modernista: tem ciência de que os problemas da sociedade não podem ser todos reduzidos a questões espaciais, muito menos à prancheta de um arquiteto.

A crítica ao urbanismo positivista, porém, não se reduz à questão de que ignora os limites da capacidade de o planejamento racionalista abstrato transformar a realidade. Mais do que apontar a falência do resultado, Lefebvre repudia o caráter alienante da própria pretensão de tornar os problemas urbanos uma questão meramente administrativa, técnica, científica, pois ela mantém um aspecto fundamental da alienação dos cidadãos: o fato de serem mais objetos do que sujeitos do espaço social, fruto de relações econômicas de dominação e de políticas urbanísticas por meio das quais o Estado ordena e controla a população.

O Estado autoritário planificador pode até eventualmente resolver necessidades materiais como moradia e transporte, mas também priva as pessoas da condição de sujeitos da construção da sua própria cidade. No livro Contra os tecnocratas, de 1967, Lefebvre critica inclusive os regimes do “socialismo real”, por se calcarem numa concepção produtivista que ignora que o direito à cidade não se realiza simplesmente pela construção de moradias e outros bens materiais, mas de uma sociabilidade alternativa à da sociedade burocrática – seja a de consumo, seja a planificada –, dominada por uma racionalização automatizadora que torna a vida cotidiana trivial, desprovida de sentido e autenticidade, mutiladora da personalidade. (Continua ver link acima)