domingo, 23 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
Em Wall Street por Keith Gessen
http://www.lrb.co.uk/v33/n20/keith-gessen/on-wall-street
Quando os manifestantes começaram a ocupar Wall Street, eu estava ocupado (mais ou menos) e, para ser sincero, relutante. Detesto essas coisas. Detesto ficar parado em pé no mesmo lugar, cercado por policiais, gritando slogans tolos. “Sem justiça, não há paz”. Será mesmo? “De quem é a rua? A rua é nossa”. Ora, é e não é. A futilidade também é meio frustrante. Participei das manifestações contra o bombardeio do Kosovo; o bombardeio de Belgrado; a invasão do Afeganistão; a invasão do Iraque. Gostaria que a lista fosse maior, mas, parece, só me decido a sair de casa contra os F-15s. Não, não é verdade. Também saí e protestei à frente da Convenção nacional do Partido Democrata em 2000. Para mim, Gore era centrista demais. Aquela, pelo menos, nós ganhamos.
Na Rússia, onde também protestei contra várias coisas, sempre me senti diferente – há algo em estar ali, quase sempre no frio, mostrando a cara à frente da Polícia russa; mostrando que você não tem medo deles. Sempre parecia que valia a pena. Não sei se valia ou não. Sempre havia muito mais policiais que manifestantes. Sempre éramos menos do que gostaríamos de ser. No inverno, quando os nacionalistas das torcidas de futebol ocuparam Manezh Square, sob os muros do Kremlin, foi diferente. Eram muitos, muitos mais que a Polícia. Só não derrotaram a Polícia, porque não quiseram. Se, naquela noite, as torcidas de futebol tivessem decidido ocupar o Kremlin, provavelmente teriam ocupado. (Em vez disso, atacaram não eslavos que passavam por ali.) Aquela multidão fez todos os demais protestos de que participei em Moscou nos últimos quatro anos parecerem tímidos, frágeis, patéticos.
Ontem, na praça Foley[1], havia, no mínimo, dez mil pessoas. Fiquei sem ar, boquiaberto. As fachadas neoclássicas dos cinco prédios da Justiça em volta da praça. Normalmente, dão à praça um ar de desolação, como se você tivesse sido jogado em Washington DC. Mas com toda aquela gente... parecia a Europa. Muitos sindicalistas de meia idade, vindos de todos os cantos da cidade; muita gente também, de ar interessado, sério e também (minha opinião) gente frívola, mais ou menos da minha idade, dessa gente que se vê andando pela cidade. Camaradas, é aqui que a coisa acontece.
Fazia tempo que não lembrava, mas voltou-me à cabeça um protesto do qual não participamos. Lembro só das imagens de televisão: um grupo de jovens Republicanos, homens e mulheres, ternos e terninhos de trabalho, cantando à frente de uma cantina escolar (acho que era) onde, na Flórida, acontecia a recontagem dos votos [reeleição de Bush], exigindo que a recontagem fosse suspensa. O Wall Street Journal noticiou o evento, alguns dias depois, como “levante burguês” espontâneo. De fato, não passavam de assessores parlamentares do Partido Republicano, mandados de avião para a Flórida, para protestar. Mas e nós? Onde estávamos? Em casa, sentados, enquanto os burgueses lá estavam, mobilizados, dando seu recado: se os votos fossem contados e o resultado da eleição fosse revertido, seria a guera civil.
Ontem, a multidão demorou duas horas para andar seis quarteirões até o Zuccotti Park, onde algo entre 50 e 500 pessoas – estudantes, anarquistas, anarquistas que estudam – vivem acampados há três semanas. A primeira impressão do parque é que a população de outro parque – Washington Square Park – se transferira para lá, com toda a mudança. Mas era a praça Washington Square em armas. Do lado leste do parque, um círculo de pessoas batia tambor. Na praça Washington Square, seria a trilha sonora de sua juventude perdida. Ali, eram tambores de guerra. Boa parte do Zuccotti Park foi ocupado por sacos de dormir, muitos deles cobertos com lona azul, para protegê-los da chuva. (É ilegal montar barracas sem autorização em New York City, para manter os sem tetos afastados do centro da cidade, e, agora, para impedir que os manifestantes montem o seu cartaz ideal.) No centro do parque está montado uma espécie de bufê, com pessoas andando em fila e pilhas de pizzas doadas e macarrão, servido nos pratos. Ninguém parecia interessado nas maçãs disponíveis numa grande caixa. Ali perto, o centro de imprensa e mídia – cerca de doze pessoas reunidas em roda, cada um com seu laptop, e um pequeno gerador com vários cabos interconectados e wifi.
O parque ocupado fica logo depois de uma esquina de Wall Street; é praticamente do outro lado da rua, à frente do gigantesco canteiro de obras do Marco Zero. A nova sede do banco Goldman Sachs fica logo ao lado do poço das fundações do Marco Zero. Uma loja de Brooks Brothers de um lado do parque, e outra, de Men’s Wearhouse, do outro lado. Os banqueiros tiveram de atravessar o parque. Um acampado, jovem petroleiro do Alasca, contou-me que praticamente não dormira na noite anterior, primeiro porque os ocupantes faziam muito barulho e, depois, quando resolveram dormir, começaram os banqueiros, a passar por cima de seu saco de dormir, desde as 5h30 da madrugada. Se fossem pela própria Wall Street, logo veriam que todas as medidas de segurança implantadas depois do 11/9 foram reforçadas por vários bloqueios da Polícia, para impedir o crescimento natural da ocupação, que levaria um oceano de manifestantes e seus sacos de dormir até a porta do prédio da Bolsa de Valores de New York.
Não sei se os banqueiros têm-se sentido mais desconfortáveis em New York nas últimas semanas, que nos últimos anos, mas é possível. Uma coisa é ser espinafrado pelo culto e barbudo Paul Krugman ou pelo mau-humorado Barney Frank; outra coisa, bem diferente, é ser mandado calar o bico (“O dinheiro fala... demais!”, lê-se num cartaz), por uma coleção sortida e sempre crescente de jovens saudáveis e bonitos. Já é bom começo, para os banqueiros pararem de desgraçar algumas das cabeças mais brilhantes dessa geração. Que Goldman Sachs construa a nova sede, mas não tenha coragem de pôr as palavras “Goldman” ou “Sachs” na fachada do n. 200 de West Street, isso sim, também já é alguma coisa.
Manhattan foi construída do sul para o norte, e o distrito financeiro, no extremo sul da ilha, é a parte mais antiga da cidade. A igreja Trinity, ao lado do Zuccotti Park, é a mais antiga da cidade, como o cemitério que há ali ao lado. (Onde está enterrado Alexander Hamilton, fundador do Federal Reserve.) Há algo de grandioso, embora assustador, no distrito financeiro. As fotos famosas de Paul Strand, de 1915[2], de banqueiros andando para o trabalho de manhã cedo, transformados em anões, pela arquitetura de proporções tão gigantescas que parece ter sido construída para outra espécie, muito maior que nós, ainda captura bem o clima, sobretudo depois que o sino do encerramento das operações na Bolsa já pôs para fora os trabalhadores e meteu-os no trem para New Jersey. Ninguém vem passear aqui; aqui, nada acontece. Até que aconteceu.
Anteontem, dia da grande marcha que partiu da praça Foley, partimos antes de um pequeno grupo de ativistas que andou para o centro e tentou atravessar uma barreira da polícia para chegar à própria Wall Street. Vi pelo YouTube, na mesma noite: um policial girando o cassetete como se fosse taco de baseball, fazendo-o descer sobre carne humana. No dia seguinte, começaram as ocupações dos centros cívicos por todo o país na Philadelphia, Austin, Washington, Los Angeles – até em Boston.
Voltei ao Zuccotti Park aquela noite, para a Assembleia Geral diária. Esperava discussão tediosa sobre a ideologia e as demandas da ocupação – ressuscitar a lei Glass-Steagall Act? –, mas logo vi, deliciado, que a pauta incluía, quase exclusivamente, questões de logística. Cerca de 80 pessoas ouviam e repetiam (é o “microfone do povo”) os relatórios de vários ‘comitês’ altamente práticos.
O rapaz da internet relatou que já estava quase pronto um novo website e também propôs que se votasse se a ala oeste do parque (a roda dos tambores) deveria receber uma conexão de internet; o comitê Legal relatou que muitos advogados haviam informado que estavam vindo; que, por isso, o comitê Legal seria reorganizado em vários subcomitês. Relações Públicas pediu que, fosse quem fosse o sujeito que andava fazendo telefonemas de críticas à Associated Press, que parasse imediatamente. “Nosso objetivo não é atacar a imprensa. Nosso objetivo é manipular a imprensa, para que divulgue nossa mensagem para todo o planeta.” (Disse também que quem tivesse planos de ações contra a imprensa fizesse contato com o comitê, para discussão e assessoramento.) O Comitê de Arte e Cultura anunciou que “a poesia da Revolução tem de ser inesquecível”, informou sobre show artístico que estava sendo organizado e prometeu uma grande surpresa para depois da Assembleia Geral– como depois se viu, o rapper Talib Kweli cantou para todos. O comitê de Relações Comunitárias apresentou relatório sóbrio, mas otimista: haviam participado de reuniões da comunidade local e ouvido as preocupações dos moradores da área – disseram que, no 11/9, a vida daquela região foi terrivelmente abalada. E que, agora, outra vez, a vida deles está sendo terrivelmente abalada. Os altos prédios que cercam o parque Zuccotti criam um corredor de eco, e alguns dos bloqueios implantados pela Polícia para impedir a passagem dos manifestantes até a Wall Street também impedem que os moradores usem as calçadas diariamente. Por enquanto, relataram um rapaz e uma moça do comitê de Relações Comunitárias, os moradores decidiram não apresentar queixa contra os manifestantes – mas o comitê de Relações Comunitárias destacou a importância de os ocupantes continuarem a ser muito cordiais com os moradores da área. Sem o apoio da população residente local, a ocupação pisará sobre gelo muito mais fino. É claro que os ocupantes só podem exigir ficar onde estão: no nosso escritório em Wall Street. Que outras ocupações façam outras demandas. O objetivo da primeira ocupação é permanecer onde estamos.
Gostei muito do relatório do comitê Sanitário, cujas linhas, atentamente repetidas duas vezes pelos manifestantes, para que todos ouvissem – o “microfone do povo” – soou como a mais perfeita agenda de limpeza e organização popular que jamais ouvi. “Amanhã”, disse a moça (“amanhã” repetiam os das primeiras filas; “amanhã”, repetiam novamente os das filas de trás, no microfone do povo),“vamos limpar toda a área. Quem estiver dormindo aqui, deve limpar e arrumar suas coisas até o meio dia (“meio dia”, “meio dia”, pelo microfone do povo). Se quando passarmos para recolher, os papelões e a sujeira de cada um já estiverem reunidos, será ótimo”.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Conselho ao pessoal de Occupy Wall Street - Matt Taibbi
Peguem os banqueiros pelo ponto que mais dói
12/10/2011, Matt Taibbi, revista Rolling Stones (ed. 27/10/2011)
http://www.rollingstone.com/politics/news/my-advice-to-the-occupy-wall-street-protesters-20111012
Já estive duas vezes, até agora, em Occupy Wall Street, e adoro aquilo lá. Os protestos que começaram na Praça Liberty e já se espalharam por toda a parte baixa de Manhattan são importantíssimos, resposta lógica ao Tea Party e dedo bem dado à cara da elite financeira. Os manifestantes escolheram o alvo certo e, pela recusa a deixarem a praça desde o primeiro dia, também a tática correta, mostrando ao grande público que o movimento contra Wall Street tem pique, decisão e, a cada dia, ganha mais apelo popular.
Mas... há um mas. E, para mim, é uma coisa pessoal profunda, porque essa questão de combater a corrupção que Wall Street gera é causa à qual dedico minha vida há anos, e é difícil para mim não ver qualquer ação de Occupy Wall justamente na direção em que o movimento pode ser melhor e mais eficaz. Penso, por exemplo, que os bancos devem ter-se rejubilado secretamente nos primeiros dias de protesto, certos de que haviam vencido o primeiro round da guerra pela opinião pública.
Por quê? Porque depois de uma década de roubo sem paralelo, de corrupção como jamais se viu no mundo, com dezenas de milhões de norte-americanos passando à categoria de sem teto e famintos, graças aos preços da comida artificialmente inflados, e com outros milhões de norte-americanos despejados de suas casas pela corrupção no mercado imobiliário, as manchetes de jornais durante a primeira semana de protestos contra o setor financeiro e de serviços foram dignas de revistinha de colégio de meninas.
Na minha opinião, isso diz muitíssimo sobre o desafio inicial de opor-se à hidra de 50 cabeças da corrupção pelos banqueiros de Wall Street, porque é extremamente difícil explicar os crimes da moderna elite financeira num infográfico simples.
A essência desse tipo específico de poder oligárquico é a complexidade e a invisibilidade no dia a dia. Seus piores crimes, do suborno e tráfico de influência à manipulação do mercado, do domínio sobre o governo político, comandado dos bastidores, à usurpação da estrutura regulatória que se faz dentro dos parlamentos, nada disso pode ser visto pela opinião pública, nem é noticiado pela televisão. Não haverá a foto icônica da menina com o corpo queimado por napalm, com Goldman Sachs, Citigroup ou Bank of America. – Só há 62 milhões de norte-americanos com zero na conta poupança, ou ainda devendo dinheiro, coçando a cabeça e sem entender para onde foi o seu dinheiro sumido e por que os seus votos parecem valer menos e menos, e cada vez menos, a cada ano.
Mas não importa. Façam o que fizerem, sempre apoiarei Occupy Wall Street. E acho que a estratégia básica do movimento – construir grandes números e não abandonar a praça, em vez de prender-se a um ou outro conjunto fechado de princípios – fez e continua a fazer pleno sentido. Mas aproxima-se rapidamente o momento em que o movimento terá de oferecer solução concreta aos problemas criados por Wall Street. Para fazer isso, precisarão de uma lista curta, mas potente, de reivindicações. Há milhares, mas sugiro que o movimento concentre-se em cinco:
1. Quebrar os monopólios. As cinco grandes empresas financeiras, chamadas “Grandes Demais para Quebrar” – também chamadas, mais precisamente, de “Instituições Sistemicamente Daninhas” – são ameaça direta à segurança nacional. Estão acima da lei e acima das consequências de mercado, o que as torna mais perigosas e imperscrutáveis que mil máfias reunidas. Há cerca de 20 dessas empresas nos EUA – e têm de ser desmontadas. Bom começo nessa direção seria rejeitar a ‘Lei Gramm-Leach-Bliley’ [ing. Gramm-Leach-Bliley Act[1]] e ordenar a separação das empresas de seguros, bancos de investimento e bancos comerciais.
2. Que eles paguem pelos próprios ‘resgates’. Uma taxa de 0,1% de todos os negócios de ações e bônus e uma taxa de 0,01% de todos os negócios com derivativos gerariam dinheiro suficiente para devolver aos contribuintes o que nos foi roubado nos ‘resgates’, e ainda sobraria muito para combater os déficits que os bancos alegam que tanto os preocupam. Ajudaria a conter a caça sem fim a lucros instantâneos através de esquemas de negócios internos como High Frequency Trading, e forçaria Wall Street a voltar ao negócio que se espera que seja seu meio de vida, i.e., fazer investimentos decentes em empresas que gerem empregos e ajudá-las a crescer.
3. Nada de dinheiro público para lobbies privados. Uma empresa que recebe ‘resgate’ público não pode ser autorizada a usar o próprio dinheiro dos contribuintes para pagar lobbies contra os contribuintes. Você pode ou mamar nas tetas do estado ou influenciar a eleição do próximo presidente, mas não poderá mais fazer as duas coisas. Caiam fora e deixem o povo eleger livremente o próximo presidente e o Congresso.
4. Taxem os jogadores da jogatina dos fundos hedge. Para começar, temos de repelir imediatamente o corte de impostos obsceno e indefensável, que permite que titãs dos hedge funds como Stevie Cohen e John Paulson paguem impostos de apenas 15% dos bilhões que ganham na jogatina financeira, enquanto cidadãos norte-americanos comuns pagam o dobro disso por ensinar crianças ou apagar incêndios. Desafio qualquer político a levantar-se para defender esses buracos da lei, em ano eleitoral.
5. Mudar o modo como os banqueiros são remunerados. Temos de ter leis que impeçam que executivos de Wall Street recebam bônus por encobrir negociatas que, mais cedo ou mais tarde, sempre explodem na nossa cara. Tem de ser assim: você faz um negócio, compra ações de empresas que você poderá revender em dois ou três anos. Assim, todos serão obrigados a investir na saúde financeira das próprias empresas, no longo prazo – e fim dos Joe Cassanos embolsando bônus multimilionários, só porque destruíram as AIGs do mundo.
Citando o imortal filósofo político Matt Damon de Cartas na Mesa[2], “a chave para pôquer sem limite é obrigar um homem a tomar decisões que envolvem todas as suas fichas.” A única razão pela qual os Lloyd Blankfeins e Jamie Dimons do mundo sobrevivem é que jamais são forçados, pela imprensa ou pela lei ou seja por que for, a pôr todas as suas cartas na mesa. Se Occupy Wall Street pode fazer isso – se pode falar ao mesmo tempo aos milhões de norte-americanos que os bancos reduziram à miséria e converteram em sem-tetos e desempregados – então, sim, há chance de que construa movimento massivo, de base. Só precisa meter um fósforo aceso no ponto certo, e lá estará o apoio popular para reformas reais – não depois, mas já, imediatamente.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
RECETAS URBANAS
TXT/ ADVERTENCIA
"Todas las recetas urbanas mostradas a continuación son de uso público, pudiendo ser utilizadas en todo su desarrollo estratégico y jurídico por los ciudadanos que se animen a hacerlo. Se recomienda el estudio exhaustivo de las distintas localizaciones y situaciones urbanas en las que el ciudadano quiera intervenir. Cualquier riesgo físico o intelectual producido con el uso de las mismas correrá a cargo del ciudadano."
Santiago Cirugeda
Revista Global Brasil
Indignação no MundoBraz
O número 14 da Global, totalmente online, traz o debate sobre os processos de indignação que ocorrem desde a Praça Tahrir, no Egito, aos POBRES cariocas que estão sendo REMOVIDOS em função do processo de desocupação por conta das obras das Olimpíadas de 2016; das manifestações contra a democracia dos poucos na Espanha aos desmonte da democratização real que sofre o atual Ministério da Cultura, no Brasil. Em comum, essas lutas são marcadas pelas dimensões produtivas da vida, que resiste a se deixar capitalizar.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Dispositivo segundo Manuel Gausa
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Riots updated: Sennett, Rykwert, Till, de Botton, Tavernor and more on why Britain is burning | News | Architects Journal
Joseph Rykwert- We need to think about public housing and public space - quickly C
Richard Sennett - The riots were all too predictable (...)
Jeremy Till - At least the architects are not blamed this time, as we were with Broadwater. Nor could we be, because (quoting Simmel) the city is not a spatial entity with sociological consequences, but a sociological entity that is formed spatially. Here the riots spatialise years of ramping up of social inequality. (...)
William JR Curtis - London has been up for sale to the highest bidders in the international plutocracy for years and the results are there to see in the Shard and all the other grotesque signs of exaggerated wealth that are in fact impoverishing the public realm for everybody else. (...) Is one surprised that one kind of violence is responding to another kind? No, not really. (...)
Yasmin Sharif- (...) What we are experiencing are the consequence of policies which pander to big business and line the pockets of bankers, developers, PFI companies and other private organisations at the expense of the public purse.
Leitura dos outros no link-título
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Henri Lefebvre, inventor do direito à cidade | Ponto de Cultura - Outras Palavras
O “direito à cidade” foi pioneiramente concebido como tal por Henri Lefebvre, na obra-manifesto Le droit à la ville, publicado poucos meses antes de maio de 1968. Lefebvre repudia a postura determinista e metafísica do urbanismo modernista: tem ciência de que os problemas da sociedade não podem ser todos reduzidos a questões espaciais, muito menos à prancheta de um arquiteto.
A crítica ao urbanismo positivista, porém, não se reduz à questão de que ignora os limites da capacidade de o planejamento racionalista abstrato transformar a realidade. Mais do que apontar a falência do resultado, Lefebvre repudia o caráter alienante da própria pretensão de tornar os problemas urbanos uma questão meramente administrativa, técnica, científica, pois ela mantém um aspecto fundamental da alienação dos cidadãos: o fato de serem mais objetos do que sujeitos do espaço social, fruto de relações econômicas de dominação e de políticas urbanísticas por meio das quais o Estado ordena e controla a população.
O Estado autoritário planificador pode até eventualmente resolver necessidades materiais como moradia e transporte, mas também priva as pessoas da condição de sujeitos da construção da sua própria cidade. No livro Contra os tecnocratas, de 1967, Lefebvre critica inclusive os regimes do “socialismo real”, por se calcarem numa concepção produtivista que ignora que o direito à cidade não se realiza simplesmente pela construção de moradias e outros bens materiais, mas de uma sociabilidade alternativa à da sociedade burocrática – seja a de consumo, seja a planificada –, dominada por uma racionalização automatizadora que torna a vida cotidiana trivial, desprovida de sentido e autenticidade, mutiladora da personalidade. (Continua ver link acima)
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Google StreetView em Vitória
Hoje Conrado andando pela Rua da Lama em Jardim da Penha viu" o carro do Google StreetView estacionado. Conrado disse: "Não perdi tempo e saquei foto com o celular.
Dêem uma olhada."
"Conversei com o cara que tá dirigindo o carro, e ele disse que o plano da Google é fotografar todos os municípios brasileiros com mais de 50.000 habitantes.
Aqui no estado, eles tão quase acabando Vitória e já vão começar os outros municipios da Regiao Metropolitana, além de São Mateus, Linhares, Cachoeiro do Itapemerim, Aracruz, Guarapari e mais alguns.
Perguntei se precisavam andar devagar e o cara falou que não, que sempre que dá eles "metem o pé".
É isso." Conrado Carvalho
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The Three Laws of Open Government Data | eaves.ca
Yesterday, at the Right To Know Week panel discussion - Conference for Parliamentarians: Transparency in the Digital Era - organized by the Office of the Information Commissioner I shared three laws for Open Government Data that I'd devised on the flight from Vancouver.
The Three Laws of Open Government Data:
- If it can’t be spidered or indexed, it doesn’t exist
- If it isn’t available in open and machine readable format, it can’t engage
- If a legal framework doesn’t allow it to be repurposed, it doesn’t empower// ver mais no link
sábado, 2 de julho de 2011
IHU - Instituto Humanitas Unisinos
O curso de Michel Foucault coletado no volume publicado por Feltrinelli, “O Governo de si e dos outros”, articula o tema de uma práxis teórica que se apresenta como crítica ao existente e ato rebelde com respeito ao poder. Um texto que, junto com “A coragem da verdade”, em vias de publicação, desmente as interpretações que apresentaram o filósofo francês como um teórico do neoliberalismo.
A reportagem é de Alessandro Dal Lago, publicada no jornal Il Manifesto, 23-10-2009. A tradução é de Benno Dischinger.
A coragem da verdade é o título do curso dado por Michel Foucault no Collège de France de fevereiro a março de 1984. Poucos meses depois, no mês de junho, o filósofo teria morrido. A morte adeja sobre as últimas palavras públicas de Foucault e não só porque no início do curso ele admite estar seriamente enfermo ou porque se multiplicam as referências aos últimos dias de Sócrates. Antes, as lições concluem sob a insígnia da finitude, como consciência de um senso terreno e irrepetível a ser dado à existência entre os homens. Continuação explícita de O governo de si e dos outros, publicado na França em 2008 e na Itália faz poucos dias junto a Feltrinelli, A coragem da verdade (do qual o editor milanês anunciou a publicação em italiano) coroa uma meditação sóbria e analítica, mas não menos radical sobre o que Hannah Arendt teria definido a existência política.
Aqui devemos ser claros. Os dois cursos e, sobretudo o segundo, mandam pelos ares as interpretações edificantes e paroquiais, essencialmente revisionistas, que na última década, com base na publicação dos cursos, se quis dar da pesquisa foucaultiana. Onde Foucault reconstruía as peripécias da ética antiga em chave de progressiva despolitização (e, portanto, justificação de um governo pastoral ou, se quisermos, do domínio), alguns intérpretes contemporâneos quiseram ver uma espécie de filosofia prática da interioridade – como naquela paródia dos exercícios espirituais que vai sob o nome de laudo filosófico. Um historiador e filósofo cético e libertário foi assim reduzido a uma espécie de pedagogista ou mestre de sabedoria, caricatura que Foucault teria detestado. Bastaria a sobriedade com a qual enfrentou os últimos meses de vida para mostrar como para Foucault o “cuidado de si” seria algo de esquisitamente privado do qual não convém fazer comércio intelectual e material.
Os ídolos do cínico
No governo de si e dos outros, Foucault indica, baseando-se em Eurípides, Platão, Plutarco etc., como a parrésia teria sido na origem um conceito político – a palavra que o homem livre pronuncia a respeito da polis contra a tirania e a injustiça. Algo, portanto, que tem sentido em público e pressupõe um coro. Sucessivamente, em sintonia com o declínio da polis, a parrésia começa a fazer parte dos ‘arcana imperii’. Como se vê nas relações de Platão com os dois Dionísios, o “falar franco” torna-se o do filósofo ao tirano; em outros termos, trata-se de algo ao mesmo tempo técnico e secreto (de onde a afinidade com o tema platônico da supremacia da sapiência oral).
O fim da liberdade grega é o contexto histórico no qual a parrésia perde qualquer sabor político para se tornar “franqueza” teorética, “verdade” pessoal e interpessoal. Lançam-se aqui as premissas para aquela repatriação dos filósofos em si mesmos, com base em grande parte da ética helenística e em particular do estoicismo. Mas, caso se tenha em mente as outras pesquisas de Foucault, é impossível não pensar na fundação da subjetividade teórica. A partir do ‘Noli foras ire’ [Não queiras sair fora] de Agostinho, se desdobra uma estrada que passa de Descartes e transita pelos lados de Husserl para acabar no receituário edificante contemporâneo.
As primeiras aulas do curso de 184 retomam e reelaboram o Governo de si e dos outros. Como se sentisse a urgência de fixar uma matéria delicadíssima (no fundo se trata de repensar em chave de conflito ético-político e não mais de mero desvelamento da racionalidade, as origens do pensamento ocidental), Foucault retorna sobre as diversas declinações da parrésia, se detem nas interpretações da morte de Sócrates, tira os fios que daquelas antigas discussões levam diretamente aos dilemas de hoje, mostra como, em última análise, a psique seja o terreno ao qual conduziu o “falar franco”. É na interioridade da alma que o ensaio verá por último manifestar-se o logos. Simone Weil pôde falar, a propósito da filosofia platônica, de intuições pré-cristãs. Foucault nos mostra quão clássica seja a idéio (que se quer moderna) do eu como terreno privilegiado da verdade.
Era possível outra história? Através de uma análise originalíssima da virada cínica, Foucault parece sugerir de si – conduzindo-nos a um terreno que não é o da mera nostalgia da polis e muito menos do recuo histórico. O cínico não é alguém que exercita ocasionalmente a parrésia ou muito menos a teoriza, mas é aquele que a pratica sempre – isto é, alguém que vive, poder-se-ia dizer, num estado de parrésia.
O cínico desmascara, portanto, com seu exemplo os ídolos privados e públicos. Exemplar, a este propósito, é aquele filósofo cínico arrastado a juízo porque se recusa aceitar os mistérios. Se os mistérios são maus, diz ele, o filósofo deve dizer a verdade sobre eles. Se são bons, deverá atrair para eles o maior número de pessoas possível; em todo o caso, deve conhecê-los e portanto não podem dar-se mistérios. Com um só golpe, os cínicos desmascaram a mitologia religiosa e a prosopopéia do poder. Deste modo, correm riscos, exatamente como Sócrates, de quem levam às extremas consequências o método, mas sem aquela aura de superioridade um pouco tortuosa que já havia atraído sobre Sócrates as ironias de Aristófanes.
Os cínicos, de fato, dão acima de tudo o exemplo, encarnando a verdade com seu comportamento. Num capítulo extraordinário sobre a posteridade dos cínicos, Foucault mostra quanto seu exemplo esteja afim ao espírito revolucionário moderno. O cínico é, em última análise, um filósofo prático subversivo e, neste sentido, se ergue contra o conservadorismo platônico e aristotélico e seu supremo senso de ordem.
O espírito anti-institucional
Pobreza na vida cotidiana, corpos cobertos de trapos, falta de moradia, nomadismo... Nesta filosofia praticada por baixo Foucault vê justamente os pródromos de um cristianismo popular e primitivo, mas também das heresias que germinarão às margens da institucionalização do cristianismo e contra ela. Como não pensar, além dos valdenses citados por Foucault, nas seitas gnósticas, nos cátaros etc. etc. até os levellers ou os anabatistas? É no assim dito cinismo, parece dizer Foucault, um espírito anti-institucional e anti-aristocrático que, embora provindo diretamente da experiência filosófica clássica, mira diretamente no coração de outra modernidade. Os cínicos se refazem segundo Sócrates, mas o liberam das mitologias filoespartanas e autoritárias de um Xenofonte, o desplatonizam e, assim fazendo, o superam. Eis o sentido do moto de Diógenes “mudar o valor da moeda”. Não uma apologia da falsificação, mas – teria eu vontade de dizer – uma transvaloração democrática, popular, revolucionária dos valores.
Ascese, verdade como escândalo, militantismo: são estes os três aspectos que o cinismo consigna à posteridade. Não só na religião ou nas doutrinas sociais. Pense-se – diz Foucault – na pretensão dos artistas de viver uma vida exclusiva, ou seja, de viver a arte, de não aceitar uma separação entre arte e vida. “Há um antiplatonismo da arte moderna que (...) tem sido uma tendência que se encontra em Manet, senão em Francis Bacon, em Baudelaire, senão em Samuel Beckett ou Burroughs; o anti-platonismo: a arte como irrupção do elementar posto a nu pela existência” (A coragem da verdade).
O pedantismo do exemplo
Certamente há também no cinismo filosófico, diz Foucault, o anúncio de outro tipo de pedagogismo que não se manifestaria através do racionalismo socrático-platônico e depois histórico, cristão, etc., mas pelo pedantismo do exemplo. O militante está pronto a transformar-se – como a experiência histórica nos mostra até a náusea – em funcionário, talvez da humanidade. O subversivo em moralista. O herege em tutor de uma ordem que fatalmente só pode envelhecer. Mas, trata-se de uma dialética esquisitamente moderna, que está na base das nossas ilusões e das inumeráveis desilusões contemporâneas. E, no entanto, a “razão cínica” – para citar um velho livro do filósofo alemão Peter Sloterdijk – continua a trabalhar contra a eternização do presente. Porque, como observa corretamente Frédéric Gros nas notas conclusivas a Le courage de la verité [A coragem da verdade], o gesto dos cínicos consiste no apelo à transformação do mundo e, por conseguinte, na possibilidade de “outro” mundo. Com isso, cremos, o sentido da investigação de Foucault se emancipa da pátina insuportavelmente otimista e confessional da qual foi recoberto há uma vintena de anos.
Surge a vontade de dizer que o significado profundo da parrésia de fato não está para nós no desprendimento interior que Foucault reconstruiu, se não nos limiares do cristianismo, na indiferença de Diógenes diante de Alexandre e em seu seguimento; no desprezo das conveniências teóricas e políticas; no apelo à verdade contra a falsidade midiática e institucional. Em definitivo, numa existência autenticamente rebelde. Após tudo, pouco antes de morrer, Foucault observou que o verdadeiro significado da rebelião não está na vitória que é sempre problemática, mas no fato de que somente ela torna possível a história.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
domingo, 19 de junho de 2011
Íntegra do voto do ministro Celso de Mello sobre marcha da maconha :: Notícias JusBrasil
Leia a íntegra do relatório e voto do ministro Celso de Mello no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 187, em que ressaltou a liberdade de expressão e de reunião, bem como o direito à livre manifestação do pensamento, princípios fundamentais garantidos pela Constituição Federal de 1988.

